URGENTE: Câmara aprova decreto de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro
Após mais de sete horas de sessão, a
Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta terça-feira (20) o decreto que
autoriza a intervenção
federal na segurança pública do Rio de Janeiro. O texto, aprovado por 340
votos a 72, segue agora para a análise do Senado. Houve, ainda, uma abstenção.
A previsão é de que a medida seja
analisada pelos senadores já nesta terça, em sessão prevista para ter início às
16h.
Na última sexta (16), o presidente
Michel Temer assinou o decreto de intervenção, que passou a vigorar de maneira
imediata, mas só poderá ter continuidade se for aprovado pela Câmara e pelo
Senado.
O decreto estabelece que a medida vai
durar até 31 de dezembro deste ano. Nesse período, o general do Exército Walter
Souza Braga Netto, do Comando Militar do Leste, será o interventor no estado e
terá o comando da Secretaria de Segurança, Polícias Civil e Militar, Corpo de
Bombeiros e do sistema carcerário no estado do Rio.
Tramitação
A análise do decreto, em regime de
urgência, foi feita diretamente no Plenário da Câmara, sem passar por
comissões. Os deputados não puderam propor emendas, modificando o que o
presidente Michel Temer determinou no documento.
Na sessão, a relatora Laura Carneiro
(PMDB-RJ) leu parecer
pela aprovação do texto e defendeu que o governo apresente um projeto
complementar para destinar recursos federais às operações no Rio.
“Ao se referir aos recursos federais,
o decreto trouxe um termo absolutamente genérico”, disse. “É evidente que sem o
aporte significativo de recursos federais a intervenção federal não conseguirá
atingir minimamente os seus objetivos”, disse.
Posições
Na discussão sobre o decreto, o
deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) criticou parlamentares contrários à
intervenção e defendeu que a Câmara cumpra o “dever constitucional” de aprovar
o decreto.
“Precisamos urgente no Rio de Janeiro
de que a Constituição seja cumprida. Intervenção federal já”, afirmou.
Contrária à intervenção, a deputada
Jandira Feghali (PCdoB-RJ) questionou a motivação da edição do decreto. Para
ela, o governo Michel Temer usou a medida para desviar o foco da reforma da
Previdência e com o objetivo de ganhar popularidade.
“Essa intervenção é uma cartada
política de grande risco para o povo e para esse país”, disse. “Ele (Temer)
tenta mudar a pauta desse país, se utiliza do desespero, da fragilidade das
pessoas do Rio de Janeiro, colocando a pauta na segurança pública”, enfatizou.
Guerra contra o crime
Durante a sessão, o presidente da
Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), leu um discurso em defesa da aprovação do
decreto. Para ele, a medida não pode ser vista como intervenção militar, já que
está amparada na Constituição.
“Estamos numa guerra contra o crime.
Nossa arma é a Constituição”, afirmou o deputado. “Infelizmente, essa
intervenção torna-se urgente e necessária”, ressaltou.
Antes da sessão, Maia afirmou que a
Casa vai instalar um observatório para fiscalizar ações do governo e acompanhar
indicadores de violência e educação.
“É inédito para que a gente possa
cumprir nosso papel constitucional de fiscalizar os atos do governo. Vamos
trabalhar juntos e depois cobrar do interventor para que rapidamente ele monte
a equipe dele, monte o planejamento”, afirmou.
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