OPINIÃO: Ensaio sobre a cegueira
A Globo conseguiu o que queria: manipular milhões de
brasileiros incautos com a reportagem sobre a solidão dos transexuais presos em
penitenciárias masculinas.
Quem chorou a dor de Suzy, o personagem ícone da narrativa,
e quem se perguntou o que Suzy haveria de ter feito para amargar tal condição,
foi igualmente envolvido pela torpe tentativa de manipulação da emissora.
E é isto que precisa ser discutido: a manipulação da
informação com o objetivo de gerar um resultado interessante a um determinado
público, apenas.
Suzy, de nascimento Rafael, estuprou, estrangulou, matou e
depositou o corpo de sua vítima em estado de putrefação, um menino de 9 anos,
na frente da casa dos pais do garoto morto. Também abusou de uma criança de 3
anos e de um sobrinho da família.
Mas a reportagem fantástica construiu a narrativa para fazer
crer que a solidão de Suzy era fruto de sua escolha sexual, omitindo
deliberadamente os fatos acima.
É bem verdade que a condição dos transexuais nas cadeias
masculinas inspira compaixão.
Mas não deveria inspirar superior misericórdia a barbaridade
a que foi submetida a criança estuprada?
Por que escolher Suzy como a personagem para o drama dos
transexuais nas cadeias? Não haveria outro? Foi intencional? Suzy foi
abandonada, ao contrário da sórdida tentativa da matéria em querer parecer o
contrário, porque cometeu assassinato, estupro de vulnerável e ocultação de
cadáver. Sua família a desprezou porque também intentara contra a integridade
dos sobrinhos. Suzy não está sozinha porque é Suzy.
Após décadas de vilipêndio cognitivo e sucessivos abusos
contra as suas capacidades de apreensão da realidade, parte do povo brasileiro
não consegue mais perceber o óbvio: a reportagem foi manipulação de massas do
início ao fim. A audiência está sendo feita de trouxa e uma parcela sua ainda
sai em defesa dos que lhe fazem de palhaço!
A defesa em nota do Dr. Dráuzio Varella, invocando o
juramento de Hipócrates, nos obriga a recuperar o juramento dos jornalistas -
função que ele desempenhava no momento do abraço a Suzy - e que ele mesmo
mandou para a vala:
"(...) Juro no exercício do meu dever profissional não
omitir, não mentir, não distorcer, não manipular dados e, acima de tudo, não
subordinar em favor de interesses pessoais, o direito do cidadão à informação".
Eis o crime de desinformação! Eis a manipulação da audiência
em cores nuas e patentes! Distorcer, omitir e subordinar informações a
interesses de classe foi exatamente o que a reportagem fantástica fez,
simplesmente porque a Globo não faz jornalismo há décadas! Mas a plateia cega
continua a dar o voto de confiança a quem omite, distorce, mente e manipula.
E ainda depois de dito tudo isto exposto, alguns continuarão
aprisionados ao porão das ideologias, vitimismos e hipocrisias, entendendo que
Suzy é uma vítima da solidão atroz e da violência de gênero, porque teve a
infelicidade de se achar mulher em corpo de homem.
A verdadeira infelicidade, contudo, foi a do menino
estuprado, estrangulado e morto, assim como a da sua mãe, que amargou o afago
ao assassino do seu filho em rede nacional. E só de ter que escrever o óbvio
nesta coluna, esmiuçando todas estas coisas, eu sou obrigada a admitir: a Globo
conseguiu o que queria.
Crédito da Imagem: Reprodução/Google
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