Comissão especial da Câmara aprova texto-base da reforma da Previdência
A comissão especial da Câmara que analisa a reforma da
Previdência aprovou nesta quinta-feira (4), por 36 votos a 13, o texto-base do
parecer do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), favorável ao endurecimento das
regras de aposentadoria.
Para concluir a votação, os deputados precisarão ainda
analisar destaques que pedem mudanças no texto.
No total, os partidos apresentaram 23 destaques. Outros 99
foram protocolados individualmente por parlamentares, mas, provavelmente, serão
rejeitados em bloco.
Após ter sido aprovada na comissão, a proposta de emenda à
Constituição (PEC) seguirá para o plenário da Câmara, onde terá de passar por
dois turnos de votação e necessitará do apoio de ao menos 308 dos 513
deputados. Depois, se aprovada, vai para o Senado.
Reforma
Considerada a principal aposta da equipe econômica do
governo para sanear as contas públicas, a reforma da Previdência modifica as
regras de aposentadoria para funcionários do setor privado e servidores
públicos da União.
A estimativa de economia prevista com a reforma é da ordem
de R$ 1 trilhão em 10 anos.
Os novos critérios valerão para quem ainda não começou a
trabalhar. Quem já está trabalhando e contribuindo para o INSS ou o setor
público terá regras de transição.
Houve uma tentativa de incluir a previsão de que a reforma
também valesse para servidores estaduais e municipais, mas não houve acordo.
Veja alguns pontos
aprovados no texto-base:
Idade mínima de aposentadoria
·
65 anos para homens do setor
público e do privado
·
62 anos para mulheres do setor
público e do privado
Idade mínima de professores
·
60 anos para homens
·
57 anos para mulheres
Tempo de contribuição
Setor privado:
·
20 anos para homens
·
15 anos para mulheres
Setor público:
·
25 anos para homens e mulheres
Regra de transição
As regras da PEC valerão para quem ainda não começou a trabalhar. Quem
já está trabalhando e contribuindo para o INSS ou o setor público terá regras
de transição.
Para quem trabalha, a idade mínima subirá aos poucos. Começa em 61 anos
(homens) e 56 anos (mulheres) e terá acréscimo de 6 meses por ano. Em 2021, por
exemplo, será de 62 (homens) e 57 (mulheres).
O que ficou fora do parecer do relator:
·
Capitalização - PEC
enviada pelo governo abria caminho para a criação do modelo de capitalização,
em que cada trabalhador poderia fazer a própria poupança, mas essa parte saiu
do relatório.
·
Estados e municípios - Mudanças
nas regras de aposentadoria de servidores estaduais e municipais não foram
incluídas na PEC, conforme previa o texto inicial do governo Bolsonaro.
·
Desconstitucionalização - Relator
também vetou dispositivos que tiravam da Constituição regras que definem idade
e tempo de contribuição mínimos, o que permitiria que futuras mudanças pudessem
ser feitas por meio de projeto de lei, que exige quórum menor do que uma PEC.
· BPC - Atualmente,
o Benefício de Prestação Continuada (BPC) é pago, no valor de um salário
mínimo, a pessoas com deficiência e idosos de baixa renda. A proposta original
do governo era pagar um salário mínimo após os 70 anos (hoje é a partir dos
65), com a possibilidade de pagar R$ 400 a partir dos 60. O relator, porém,
manteve a regra atual.

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