OPINIÃO: Corretores dão importante recado aos poderes e ao povo de Conde
Certa vez li que não existe revolução
sem luta de classes, mas que hoje, essa luta se dá, não com armas, mas com
ideias! Pois bem, a cidade de Conde, Litoral Sul do Estado tem vivido nos
últimos dias uma verdadeira ‘luta de classe’, travada por meio de ideias em
defesa de uma causa que a mim, me parece muito justa.
Os corretores de imóveis que são
responsáveis por grande parte da economia do município, principalmente do
Distrito de Jacumã, viram a necessidade de lutar contra o que poderia se
concretizar no mais duro golpe no desenvolvimento imobiliário no município, bem
como no turismo local. Falo do projeto da planta genérica de valores – PGV.
Esclareço que os profissionais não
são contra a aprovação e implantação do projeto. Ao contrário, eles entendem
que é preciso organizar essa situação, mas se colocam completamente contra as
taxas de aumento do imposto territorial urbano - IPTU. De acordo com diversos
corretores, da forma que está proposto no projeto apresentado pela prefeitura,
os aumentos podem chegam ter até 2500% no valor do IPTU. O que seria
completamente absurdo e certamente decretaria um estado de caos no setor.
Esse texto não tem o objetivo de
discutir o PGV, mas de fazer ver um aspecto fundamental na discussão desse
projeto, um fato que para alguns pode não ser visto com clareza, mas que aponta
para uma ruptura clara com a política da imposição, sem espaço para
questionamentos.
Os corretores viram o risco que
corriam caso houvesse aprovação e agiram de forma organizada, coerente e
altamente inteligente. Foram ousados, articulados e altamente preparados em
suas falas e posturas.
Esses profissionais estão fazendo a
Paraíba olhar para a política do Conde e obrigando os agentes políticos locais a
repensar seu modo de fazer política e de se relacionar com as causas populares.
Não sei se o PGV será aprovado como
está. O que sei é que até os vereadores da situação já entenderam que o
prejuízo para o município é enorme, pois se aprovado como está, resultará na
diminuição de investimentos imobiliários no município, consequentemente em
desemprego e também em crescimento da inadimplência.
Então, os parlamentares devem estar
cientes que se votarem a favor do projeto como está, podem acabar assinando um
decreto de falência do sistema imobiliário no município.
Os representantes da oposição na
Câmara já se posicionaram claramente, sendo inclusive responsáveis por uma
audiência pública que discutiu o tema. Eles já disseram que são contra desde o
início das discussões. Mas e os da situação, como se posicionarão? Agradarão a
prefeita ou o povo? Não sabemos quando teremos as respostas, mas de uma coisa
sabemos: Os corretores botaram ‘a faca no pescoço’ dos nobres vereadores e qualquer
um deles que votar contra a categoria será exposto negativamente de um modo sem
precedentes.
A sociedade condense precisa aprender
com esses homens e mulheres que ocuparam a galeria da Câmara e fizeram um ‘protesto’
coerente, inteligente e impactante. Eles não foram gritar, fazer baderna,
inventar historietas, nem muito menos se ‘vitimizar’. Foram defender de modo
muito ético toda a sociedade condense.
Esses homens e mulheres fizeram o que
todo cidadão deve fazer. Enfrentaram um ‘gigante’ sem medo e com inteligência.
Eles deram recados muito claros a três seguimentos da sociedade:
Poder Executivo: Não tente impor vontades sem
discussão ampla e objetiva. O diálogo previsa prevalecer;
Poder Legislativo: Não aprovem as coisas ‘nas coxas’.
Estudem, leiam, pesquisem e principalmente, escutem o povo. Seus mandatos
dependem disso;
Povo de Conde: Pare de ser passivo. Participe,
discuta e exija dos seus representantes.
De forma muito organizada esses profissionais estão deixando
claro que toda e qualquer categoria que agir com articulação, inteligência e
coerência pode impedir desmandos.
De verdade acredito que dificilmente essa PGV será aprovada sem grandes modificações. E digo mais, qualquer vereador da situação que votar nele como está terá grandes dificuldades em se reeleger.
Ponto.
Caco Pereira

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