Estudante de medicina é condenado a mais de 14 anos de prisão por estupro virtual
O estudante de medicina de Porto Alegre preso
em flagrante em setembro de 2017 foi condenado por estupro de
vulnerável e por armazenar fotografias com cenas de sexo explícito ou
pornográficas envolvendo crianças ou adolescentes. A decisão relativa ao
estupro é considerada inédita no estado, por se tratar de um crime cometido
pela internet.
Andrio Coletto Bozzetto deve cumprir pena de 14 anos, dois
meses e 11 dias de prisão. O advogado do réu, Tiago Lima Gavião, afirmou
ao G1que já recorreu da decisão. "Respeitamos a sentença condenatória.
Não concordamos com ela, mas respeitamos", disse.
O promotor Júlio Almeida, da 11º Promotoria de Justiça da
Infância e da Juventude do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), que
ofereceu a denúncia, elogiou a decisão da 6° Vara Criminal do Foro Central de
Porto Alegre.
"É preciso compreender o alcance da acertada decisão da
Justiça que, aceitando a nossa tese, dá um passo importante para que os
responsáveis por crimes de abuso sexual contra crianças, cometidos no ambiente
virtual, sejam punidos exemplarmente", afirmou.
O universitário, que estava no sétimo semestre da faculdade,
foi preso enquanto fazia plantão em um hospital da capital gaúcha no ano
passado. No apartamento do estudante, em Porto Alegre, foram encontradas
milhares de fotos de crianças e adolescentes em situação de pornografia em um
computador.
O material foi apreendido em operação conjunta entre o MP-RS
e a Polícia Civil do Rio Grande do Sul. O celular dele e outros equipamentos
também foram recolhidos para que a perícia fosse realizada.
A investigação teve início em abril de 2017, quando o pai de
um menino de 10 anos, de São Paulo, descobriu que o filho trocava mensagens de
conteúdo sexual com o homem. Ele comunicou a Polícia Civil, que rastreou os
diálogos e chegou a Porto Alegre.
De acordo com o MP-RS, a apuração dos fatos apontou que o
estudante usava a rede (de internet) da faculdade onde estudava para trocar
arquivos e fazer contato com uma das vítimas. O estudante também realizava
trabalho voluntário junto a crianças e adolescentes.
Para o promotor Júlio Almeida, o estupro de vulnerável ficou
claramente evidenciado. "Embora abusador e vítima estivessem
geograficamente em estados diferentes, o ambiente virtual é capaz de simular o
encontro, como se de fato, fisicamente, juntos estivessem e isso, certamente,
provocou danos à vítima, que, após o ocorrido, passou a manifestar
comportamento atípico", explicou.

Nenhum comentário: