'Estou sentado no banco de reservas', diz general sobre vice de Bolsonaro
O general da reserva Antônio Hamilton Mourão (PRTB),
presidente do Clube Militar, afirmou que está "sentado no banco de
reservas", caso seja convidado a participar como vice da chapa do
pré-candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro.
As duas tentativas que Bolsonaro fez para anunciar seu vice
nesta semana falharam. Magno Malta (PR) recusou o convite afirmando que
concorreria ao cargo de senador. O general da reserva Augusto Heleno Ribeiro
Pereira se disse pronto para a "missão', mas o partido que integrava, o
PRP, negou a oferta. Heleno
anunciou então que deixaria a sigla.
Segundo o jornal "Folha de S.Paulo", Bolsonaro
disse a aliados que iria agora sondar o general Mourão para uma eventual
aliança. Ao UOL, o general não comentou se foi ou não procurado, mas disse
que, em uma conversa que teve com Bolsonaro "há algum tempo", afirmou
que estava no "banco de reservas".
"Eu continuo sentado no banco de reservas em condições
de, se necessário for, participar dessa grande empreitada", disse à
reportagem.
Para que eventualmente Mourão integre a chapa de Bolsonaro
seria necessário um acordo com Levy Fidelix, presidente do PRTB.
Mourão vinha afirmando que, embora tivesse se filiado ao
PRTB após deixar o Exército em fevereiro, pretendia apenas atuar como articulador
político dos 115 candidatos militares, sem concorrer ele próprio a cargos
eletivos.
Ele também dizia, porém, que se fosse necessário --como no
caso de uma eventual impugnação da candidatura de Bolsonaro-- estaria disposto
a concorrer a um cargo eletivo.
O Exército afirmou que as decisões de militares da reserva
de participar das eleições são individuais e não são orientadas pelo Comando
instituição --que não tem nenhuma participação nas candidaturas. A legislação
brasileira não faz qualquer restrição a candidaturas de militares da reserva.
Mourão disse também que Bolsonaro ainda tem variadas
possibilidades para encontrar um vice. "O Bolsonaro é um candidato com grandes
características de vencedor. Mas é um candidato que está em um partido pequeno.
Os partidos maiores, que têm mais acesso ao tempo de televisão, eles não estão
conseguindo decolar com seus candidatos e fica então a busca em torno daqueles
partidos pequenos, cada um com a sua agenda particular", disse.
"Então isso está causando essa dificuldade para que o
Bolsonaro logre obter um candidato a vice que se assemelhe ao que ele está
propondo", afirmou.
Para Mourão, outras opções que Bolsonaro tem para preencher
a vaga de vice são a autora do pedido de impeachment contra a presidente Dilma
Rousseff, Janaína Paschoal (PSL), e o general Heleno, que ainda poderia ser
viabilizado por meio de negociação, segundo Mourão.
"E ainda tem o PR e outros partidos que podem fornecer algum candidato que
seja homogêneo com o Bolsonaro e que permita fechar a chapa", disse.
Mourão foi membro do Alto Comando do Exército até passar
para a reserva em fevereiro de 2018. Seu nome emergiu da caserna para os
noticiários entre 2015 e 2017 quando, ainda no serviço ativo criticou
publicamente o governo de Dilma Rousseff (PT) e sugeriu uma intervenção militar
no governo. Ele assumiu a presidência do Clube Militar e diz atualmente que os
militares devem chegar ao poder por meio das urnas
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