Operação apreende dados do Vasco em empresa terceirizada, e eleição esquenta

Policiais da 17ª DP (São Cristóvão), um oficial de
justiça e um perito judicial cumpriram ordem de produção antecipada de provas
no último dia 1°, na empresa de informática responsável pelo software e pela
gestão do banco de dados do Vasco. Por decisão da 17ª Vara Cível do Tribunal de
Justiça do Estado do Rio de Janeiro, o clube foi obrigado a permitir a cópia
dos dados. A ação, de autoria de Renato Cícero Freire de Brito Neto, visa obter
informações sobre o cadastro de sócios do clube, de olho na eleição de novembro.
Localizada na Vila da Penha, Zona Norte do Rio, a empresa
I-Build Tecnologia recebeu a visita da polícia por volta das 11h do dia 1º.
Advogados do Vasco e do estabelecimento já aguardavam no local. Os
representantes legais ainda tentaram evitar que cópias do banco de dados do
clube fossem levadas, oferecendo apenas relatórios em cima dessas informações,
mas acabaram sendo obrigados a autorizar a transferência dos arquivos para o HD
externo do perito.
Os dados passarão por análise e devem ser utilizados para
ajudar na definição da lista de sócios votantes para o pleito de novembro. A
tentativa do autor da ação, membro da oposição à atual diretoria, é identificar
os sócios provenientes do "mensalão" de 2014, quando grupos políticos
financiaram a entrada de novos associados para participarem do pleito e
garantiram aqueles votos.
O departamento jurídico do Vasco ainda entrou com recurso
no decorrer da semana passada para derrubar a liminar que originou a busca e
apreensão dos dados cadastrais do clube, mas não obteve êxito. Procurada, a
diretoria ainda não havia se posicionado sobre o assunto até a publicação desta
matéria.
Esse não foi o primeiro movimento da oposição na esfera
judicial. Em fevereiro, policiais militares e oficiais de justiça acompanharam
peritos em São Januário na apreensão de computadores da secretaria do clube. O
objetivo na ocasião era ter acesso à lista de sócios votantes ativos. Agosto
será decisivo no processo político do Vasco: a lista de sócios eletivos, tanto
para o Conselho Deliberativo quanto para a presidência, será fechada este mês.
A partir dessa lista devem ser confirmadas as chapas candidatas. Além disso,
até o dia 15, a diretoria deve marcar a data da eleição.
SÓCIOS RECLAMAM DE DIFICULDADES
Outro ponto importante que será definido até o dia 31 é a
lista de sócios votantes. Com a proximidade do fechamento da relação, muitos
associados têm procurado o clube para regularizar o pagamento das mensalidades
e assim garantirem o direito a voto — pelo estatuto do Vasco, somente sócios
com mais de um ano de associação e em dia podem votar. Entretanto, há vários
relatos na internet de sócios com problemas para quitar suas dívidas.
Algumas reclamações dos torcedores são referentes ao não
recebimento de boletos em casa e a dificuldade para gerar os mesmos a partir do
site do clube — até o fechamento da reportagem, a área destinada para sócios no
site do Vasco estava desativada. Diante do problema, muitos foram diretamente a
São Januário e encontraram outros complicadores.
Alguns sócios foram instruídos a escrever uma carta de
próprio punho ao vice-presidente do Vasco, Silvio Godói, para que ele
analisasse cada caso individualmente, decidindo a favor ou contra o pagamento
da dívida. Houve quem recebesse a instrução de pagar a mensalidade do mês
corrente para ter a carteira de sócio reativada, sendo que qualquer passivo
antigo o deixaria inapto a votar.
A reportagem entrou em contato com seis sócios que estão
com dificuldades para efetuar esses pagamentos. Apenas um aceitou ter o nome
revelado, enquanto outros preferiram o anonimato, com medo de represálias.
Wagner Braga Azevedo, 48 anos, sócio proprietário do
Vasco desde 1992, mora em Porto Alegre e há quase um ano tenta regularizar sua
situação. Segundo ele, o clube parou de enviar o boleto para sua residência.
Depois de as promessas de regularização do envio não terem sido cumpridas, ele
tentou o acesso ao boleto via site, mas também não conseguiu. Para ele, as
dificuldades possuem cunho político.
— Sempre coloquei minhas opiniões nas redes sociais. Para
mim, isso que está acontecendo é uma manobra política, pois sabem que serei
menos um voto na oposição. Eles estão fazendo isso com vários sócios — reclamou
o assessor técnico da TVE.
Quanto à questão dos sócios, o Vasco garantiu que não há
dificuldades no pagamento. Aqueles com até três meses atrasados podem tirar o
boleto de pagamento no site do clube. Quem tem mais do que isso precisa pagar o
total na Divisão de Cobrança, em São Januário. Em relação aos problemas no
site, afirmou que ele saiu do ar na sexta-feira passada para manutenção e que
no máximo até terça-feira pela manhã estará funcionando.
O clube informou ainda sócios proprietários e
patrimoniais precisam pagar toda a dívida para voltarem a ser ativos. Já sócios
gerais, dependendo do tempo de atraso, podem ter a matrícula cancelada.
O Globo
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