OAB repudia vídeo de escola da PM em tributo a Bolsonaro: 'lamentável'
O presidente da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB) do Amazonas, Marco Aurélio de Lima Choy, lamentou que
dezenas de alunos do terceiro ano do ensino médio do Colégio Estadual Professor
Waldocke Fricke de Lyra, em Manaus, naquele estado, tenham aparecido num vídeo
que chama o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) de "salvação da
nação", sob comando de dois policiais, num ginásio da escola.
O
colégio integra a rede estadual, mas é administrado pela Polícia Militar (PM)
por meio de um acordo com a Secretaria de Educação do Amazonas (Seduc). O GLOBO
entrou em contato com a secretaria, que informou estar "apurando a
situação". Já a PM do Amazonas informou que abriu um procedimento
administrativo que será conduzido pela Diretoria de Justiça e Disciplina da
corporação.
O
vídeo mostra nove filas de alunos, comandados por dois policiais militares,
fazendo coro com as mãos para trás. Os estudantes repetem gritos de ordem dos
PM como "Convidamos Bolsonaro, salvação dessa nação/ Nos quatro cantos
ouvirão completa nossa canção".
—
Repudiamos qualquer forma de ingerência sobre a liberdade de expressão, seja
para homenagear ou deixar de homenagear alguém. Esse vídeo é lamentável. Não se
coloca palavras na boca de adolescentes sobre decisões de outros, ainda mais
sendo uma homenagem — comenta o presidente da OAB. — Trata-se de um ambiente
acadêmico, onde se formam cidadãos. Não podemos permitir isso. O conselho da
OAB do estado vai se reunir para liberar uma nota de repudio sobre o ocorrido.
Professor
considera divulgação uma contradição
Para o professor Fernando Penna, da Faculdade de Educação da
Universidade Federal Fluminense (UFF), a divulgação do vídeo por parte de
Bolsonaro é uma enorme contradição.
— Se fosse um político de esquerda sendo chamado de salvador por alunos
em um vídeo gravado dentro de uma escola, o próprio Bolsonaro iria criticar. A
iniciativa de criar o projeto de lei “escola sem partido” foi do deputado
estadual do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro, que apresentou o primeiro projeto
com este nome na ALERJ em maio de 2014. É um projeto que, ao meu ver, quer
acabar como a dimensão educacional da escola, mas que tem como um dos seus
pretensos objetivos impedir a propaganda partidária dentro das escolas. É uma
contradição muito grande que alguém que defenda isso compartilhe um vídeo como
esse — disse Penna, que integra o momento "Educação Democrática".
O professor considerou ainda muito grave a escola ter produzido o vídeo:
— Se for um vídeo feito pela escola é muito grave. Além disso, ele (Jair
Bolsonaro), eticamente, não deveria compartilhar o vídeo. Se fosse um político
de esquerda, ele iria criticar. O movimento (Escola Sem Partido) é seletivo nas
suas acusações, porque se tivesse coerência denunciaria esse vídeo como um caso
grave — concluiu Penna.
Leia, na
íntegra, a nota da PM do Amazonas
"A Diretoria de Comunicação Social
da Polícia Militar do Amazonas informa que o colégio Waldocke Fricke de Lyra é
subordinado a administração do Comando Geral da Instituição, e que ao tomar
conhecimento da divulgação do vídeo, o Comandante Geral determinou a abertura
de um procedimento administrativo, que será apurado por meio da Diretoria de
Justiça e Disciplina (DJD) da Polícia Militar."
EXTRA
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