OPINIÃO: O crime bárbaro do ABC, a superficialidade da imprensa e o silêncio da lacração
Um crime bárbaro chocou o Brasil, ao menos deveria
ter chocado. Mas a grande mídia não deu a devida importância ao caso. Uma
família foi torturada e morta com os mais nefastos requintes de crueldade.
De acordo com um dos ‘suspeitos’ que já confirmou
participação no crime. A barbárie incluiu tortura de pai e filho, esposa vendo
o marido ser espancado, depois pais e filho sendo mortos por asfixia com sacos
plásticos. Por fim, os corpos dos três foram carbonizados.
O mais cruel é que todos os indícios, inclusive o
depoimento de um dos criminosos apontam para a triste realidade de que a filha
do casal está envolvida integralmente nessa barbárie.
Você até leu sobre o caso em alguns portais, até
viu uma reportagem de apenas 7 minutos no Fantástico. Isso mesmo. Essa barbárie
mereceu apenas 7 minutos de reportagem na revista semanal da Rede Globo.
Os direitos humanos não emitiram nota. Os
movimentos sociais estão calados. Os artistas, jornalistas e intelectuais dos
textões estão silentes. Ninguém, absolutamente ninguém abre a boca para
protestar, para cobrar justiça.
Por mais que não queira acreditar e realmente não
quero. O fato de as suspeitas de serem as mentoras do crime formarem um par
homossexual parece tornar os discursos mais brandos, mais moderados, mais
comedidos. A postura da grande mídia, dos artistas e intelectuais lacradores é
a mesma de quando outro par homossexual matou e esquartejou um menino de oito anos. Menino este que há muito era torturado por elas.
O crime do ABC é tão bárbaro, tão cruel e tão
nefasto quanto o caso dos Richthofen, quando Suzana e seu namorado tramaram um
plano diabólico e juntamente com o irmão do namorado, executam os pais da
jovem. Porque a mídia é tão seletiva? Porque o caso Nardoni repercutiu tão
fortemente e este não?
Crimes cometidos por pares homossexuais são
diferentes? Há algum atenuante em virtude da opção sexual? Heterossexuais
merecem maiores exposições e penas mais duras?
Crimes cometidos contra a vida devem ser tratados
com a mesma justiça e imparcialidade, com o mesmo rigor, independente de quem
os cometeu. Até porque todos são iguais perante a lei. Ou não são?
Antes que algum lacrador de plantão tente distorcer
minhas palavras, deixo claro que não estou reverberando um discurso de caça aos
gays e lésbicas. O crime nada tem a ver
com a sexualidade delas. Tem a ver com o coração empedernido e pelo mal que
vigora numa sociedade doente, pecaminosa e distante de Deus. Tem a ver com a
mais profunda falta de amor e respeito à vida.
A maldade, a vileza e a barbaridade de pessoas que
tramam a morte do outro, principalmente dos próprios pais e ou filhos nada,
absolutamente nada tem a ver com as escolhas sexuais. Ninguém é homicida cruel
por ser gay, heterossexual, bissexual ou o que escolher ser. Deste modo, a
cobertura jornalística de algo tão vil, não pode ser tão descaradamente
parcial.
É exatamente por não vincular esta barbaridade
orquestrada e realizada a condição sexual das prováveis assassinas, que espero
de verdade uma postura diferente da grande mídia, dos artistas, jornalistas e
intelectuais dos direitos humanos.
Não importa a natureza das relações de quem tramou a
barbaridade. É preciso informar com imparcialidade que uma filha e outra pessoa
(seja namorada, namorado, amiga, amigo...) tramaram o assassinato dos pais e do
irmão. É preciso fazer reverberar o alcance dessa maldade e exigir punição aos
culpados.
Enquanto isso não acontecer fica a sensação de que
estamos nos tornando seletivos até quanto aos praticantes de crimes bárbaros.
Está posto. É o que penso.
Ricardo Jorge Pereira (Caco)
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