(OPINIÃO) Púlpito e Política: uma aliança nociva ao Brasil
Recentemente fomos surpreendidos
com a notícia de que uma Igreja Presbiteriana em Londrina estaria
empreendendo esforços para que membros da referida comunidade assinassem as
fichas de apoio a fundação do ‘Aliança pelo Brasil’, partido capitaneado pelo
presidente Jair Bolsonaro. Em um vídeo que circula na internet é possível ver
um dos pastores da referida Igreja ‘desafiando’ os crentes a tomarem parte
nesse processo.
A ‘partidarização dos púlpitos’ é
uma das mais nocivas práticas da igreja hodierna. Quando a igreja coloca seu
púlpito, seus microfones, sua estrutura e acima de tudo, a própria instituição
a serviço de um partido ou grupo político, ela perde essencialmente sua
autoridade como ‘voz profética’ em uma sociedade que a cada dia mais carece de
uma Igreja equilibrada, justa, honesta, evangelizadora e combativa contra tudo
aquilo que desagrada ao Senhor.
A Igreja deve sim se posicionar
politicamente. Mas não pode, sob hipótese alguma, ser partidária e ou militante
de causas políticas particulares. Cabe-nos, em nossa missão de glorificar ao
Senhor, anunciar o Evangelho do Reino, como único meio pelo qual acontecerá
verdadeira transformação de vidas.
É dever da Igreja Cristã,
particularmente daquelas comunidades que se alinham com o pensamento reformado,
se posicionar conforme cremos. Isso inevitavelmente nos colocará em rota de
colisão com ideologias e filosofias predominantes neste século. Por isso,
devemos ter posicionamentos claros acerca de temas controversos e imensamente
relativizados. Isso pode nos aproximar ideologicamente de um ou outro grupo,
mas jamais poderá servir de motivação para que a Igreja seja conduzida por
anseios políticos partidários, ainda que as motivações pareçam positivas.
Ao invés de usar os púlpitos para
apoiar candidato ou partido ‘A’ ou ‘B’, devemos usá-los para anunciar a boa
nova do Grande Rei. Devemos empreender esforços para pregar contra a corrupção
moral, política e espiritual que assola essa nação. Devemos ter coragem de
dizer que pecado é pecado e de parar de relativizar discussões sobre pautas
‘complicadas’.
Púlpito e Política é uma aliança
imensamente danosa à Igreja e a sociedade de modo geral. Cada cristão
individualmente, seja ele pastor ou não, é um cidadão que goza de direitos,
dentre eles o envolvimento político partidário. Isto é inegável. Por outro
lado, a Igreja é a Noiva do Grande Rei, ela não troca esta honra pelos lauréis
e prazeres que ‘reis’ transitórios lhe possam oferecer, deste modo, ela não
negocia seu púlpito, suas programações, seus espaços, seu caráter. Ela tem Dono
e apenas a Ele oferece seu louvor.
Está dito!
Rev. Ricardo Jorge Pereira (Caco)
Pastor Presbiteriano
Jornalista/Consultor de Marketing Político
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