OPINIÃO: A 'Árvore dos Bons Ventos' e o misticismo religioso
Um assunto tem permeado diversas discussões acerca do que
chamo folclore político de Conde. A querela envolve o misticismo e revela a
falta de conhecimento bíblico de muita gente.
Refiro-me a tal ‘árvore dos bons ventos’. Uma escultura posta na entrada
da cidade e ‘demonizada’ por muitos, tratada como ‘culpada’ pelas mortes na PB018
(como se não acontecessem antes) e por quaisquer problemas na cidade.
É medonho o comportamento de quem se diz cristão, que está
sob a égide do Deus todo Poderoso e fica acreditando que esse ou aquele objeto
traz maldição sobre a cidade, sobre as pessoas e sobre a vida comum. Das duas
uma: ou você o indivíduo acredita que Cristo é suficiente ou imagina que uma
escultura de metal tem poder para fazer ou trazer o mal. As duas coisas
simplesmente não podem andar juntas.
O nome disso é misticismo, idolatria e absoluta falta de
conhecimento bíblico. Para quem tem Cristo como Senhor absoluto sobre todas as
coisas, não há medo de mau agouro, de olho grande, de árvore de metal ou
qualquer outra coisa do tipo. Quem conhece Cristo não está sob maldição ou
condenação (Leia Romanos 8).
Ainda que houvesse interesse cultual por trás do objeto em
questão ou de qualquer outro, é preciso lembrar que relação com Deus é antes de
tudo individual. E que não há nada, absolutamente nada sobre a Terra que não
esteja sobre o controle do Deus Criador de todas as coisas. Leia o Salmo 93, um
dos mais belos textos de exaltação ao Senhor como Rei de toda a Terra.
Mas se você quer mesmo enxergar alguma relação da ‘árvore
dos bons ventos’ com a questão de algum culto específico, eu lhe aconselho a
consultar a presença da árvore na Bíblia.
- Ah, mas tal
religião tem a árvore como símbolo de adoração a sua divindade – você pode me
dizer.
Ao que respondo: -Eu não sou adepto de tal religião. Sou cristão, me pauto pela Escritura. Respeito as crenças alheias, mas acredito na Bíblia.
Vamos passear pela Escritura?
Ela é apresentada desde o Éden, quando do diálogo de Deus
com Adão e Eva (Gênesis 2:9), depois o
próprio Deus fala com Moisés por meio de uma sarça (árvore) ardente (Êxodo 3.2),
o homem que tem ao Senhor é comparado a uma árvore (Salmo 1.1-3), Jesus se
compara uma videira frutífera, da qual seus seguidores são os ramos (João
15.1-5). A Escritura por diversas vezes usa a oliveira como ilustração para
ensinamentos. O Senhor Jesus diz que a boa árvore produz frutos bons Mateus 7:17-20 e
má, produz maus frutos.
Aconselho você a dar uma olhada nas figuras presentes no uso
textual do Álamo, Cedro, do Cipreste, do Carvalho, da Oliveira e de várias outras árvores ao
longo da Escritura Sagrada.
Saindo da Escritura, mas não deixando sua orientação, diversas
denominações evangélicas usam a árvore em suas marcas oficiais. Igrejas
históricas como a Igreja Presbiteriana do Brasil e a Igreja Presbiteriana
Independente, são exemplos claros disto. Algumas adotam nomes que remetam
diretamente ao símbolo. Igreja Árvore da
Vida, o Ministério Internacional Batista Caminho das Árvores, e Igreja Cristã Evangélica
Bosque podem representar esse grupo.
Além disso, a maioria dos cristãos, sejam eles católicos ou evangélicos
usam a árvore de natal quando da decoração de suas casas no mês de dezembro. É
bom esclarecer que é apenas um objeto de decoração, sem qualquer poder especial
e que provavelmente foi inserido no meio protestante por ninguém mais, ninguém
menos, que Martinho Lutero.
Voltando para a Bíblia, vale lembrar as palavras do Senhor
Jesus por meio do apóstolo João em Apocalipse 2.7 "Quem tiver
ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor darei de comer (do
fruto) da árvore da vida, que se acha no paraíso de Deus."
Por fim, cristãos de todos os credos, confiem nos méritos de
Cristo. Olhem para Cristo e abandonem seus medos, seu misticismo que os afasta
do Senhor. Quem de fato teme a Deus não tem medo de maldições, de objetos
amaldiçoados, de pactos ou de qualquer outra coisa. Eles simplesmente não podem
nada.
Ah, e sobre a árvore do Conde, é apenas um objeto de
decoração, uma obra de arte (que pode ser criticada ou elogiada do ponto de vista artístico/estético), posta na entrada da cidade, assim como é o arco de Jacumã, como o 'Eu amo Jampa', na Orla da Capital e tantos outros.
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Pr. Ricardo Pereira
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