Reforma da Previdência: Senado aprova texto-base em 1º turno por 56 votos a 19 e suspende sessão
O Senado aprovou
em primeiro turno na noite desta terça-feira (1º) o texto-base da Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) da reforma da
Previdência, por 56 votos a 19.
À 0h10, após a votação de três destaques (propostas para
alterar o texto), os senadores decidiram suspender a sessão e votar os
destaques pendentes em uma sessão extraordinária convocada para as 11h desta
quarta-feira. Após a análise de todos os destaques, a votação em primeiro turno
fica concluída.
Defensores da reforma são contra destaques que alterem o
conteúdo do texto já aprovado pela Câmara porque mudanças desse tipo fariam a
PEC voltar para o reexame dos deputados, retardando a entrada em vigor das
novas regras.
Após a análise dos destaques, a proposta terá de passar por
um segundo turno de votação, previsto para ocorrer na próxima semana.
Assim como na votação desta terça, a alteração na
Constituição precisará de pelo menos 49 votos favoráveis para ser aprovada em
segundo turno.
A segunda etapa, contudo, pode ser atrasada porque
alguns senadores
argumentam que há um acordo não cumprido e cobram do governo federal
contrapartidas ainda não foram efetivadas. É o caso de um acordo sobre
divisão de recursos de leilões de petróleo.
“Nós fechamos um acordo entre o primeiro e o segundo turno
da votação. Se não houver avanço nessas questões, não é só o PT, o PSB, o PDT,
o PSD, mas também o MDB e a Rede, que se comprometeram a não votar em segundo
turno e entrar em obstrução, se os temas relacionados à pauta federativa não
caminharem na Câmara”, disse Rogério
Carvalho (PT-SE).
Se aprovada, a reforma da Previdência será a maior alteração
à Constituição desde 1988, quando foi promulgada. Segundo o relator Tasso
Jereissati (PSDB-CE), a proposta contém mais de 10 mil palavras.
De acordo com estimativas da equipe econômica do governo, as
mudanças previdenciárias podem gerar uma economia de cerca de R$ 876 bilhões em
10 anos.
Inicialmente, o governo dizia que o texto encaminhado
ao Congresso em
fevereiro geraria uma economia de mais de R$ 1 trilhão. Com as alterações no
texto na Câmara, o impacto caiu para cerca de R$ 930 bilhões. No Senado, outras
modificações reduziram a economia.
Antes de ser votada em plenário em primeiro turno, a
proposta passou
na manhã desta terça pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do
Senado.
Discussão
A discussão da reforma da Previdência em plenário nesta
terça durou cerca de quatro horas.
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), disse que,
ao aprovar o texto, o Senado estava “perpetrando uma das maiores maldades
contra a população brasileira”.
“Há o argumento de que ela precisa ser feita para promover o
equilíbrio fiscal. Mas qualquer empresa, qualquer cidadão, qualquer governo que
deseje equilibrar as suas contas, ele tem que trabalhar em duas pontas: conter
as despesas ruins, mas buscar novos recursos. Essa proposta de reforma da
Previdência somente joga a conta por esse pretenso equilíbrio para os
trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou.
Relator da proposta, Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou em
seu parecer que “o impacto fiscal da reforma” chegou ao Senado “concentrado
naqueles que ganham mais”.
“O impacto por segurado da Previdência é sete vezes maior
para os servidores públicos do que para os trabalhadores no INSS que ganham até
dois salários mínimos – na conta do pesquisador Carlos Góes, da Universidade da
Califórnia em San Diego”, citou Tasso no relatório.
A proposta aprovada
Entre outros pontos, a PEC da reforma da Previdência prevê:
idade mínima para aposentadoria de 65 anos para homens e 62
anos para mulheres. Vale para trabalhadores urbanos do setor privado e
servidores públicos;
tempo mínimo de contribuição no setor privado urbano de 15
anos para mulheres e 15 anos para homens que já estão no mercado de trabalho
(20 anos para os que ainda vão ingressar no mercado);
tempo mínimo de contribuição no setor público de 25 anos
para homens e mulheres (com 10 anos no serviço público e 5 no cargo);
idade mínima de 60 anos para professores e 57 para
professoras, com tempo mínimo de contribuição de 25 anos para ambos;
idade mínima de 55 anos para homens e mulheres da Polícia
Federal, polícias legislativas, Polícia Civil do Distrito Federal e agentes
penitenciários federais;
nenhuma pensão por morte será menor que um salário mínimo;
regras de transição com pedágio para trabalhadores que estão
próximos da aposentadoria;
valor da aposentadoria será baseado na média de todo o
histórico de contribuições do trabalhador, e não mais nos 80% maiores valores
como é feito atualmente;
pensão por morte equivalerá a uma cota familiar de 50% da
aposentadoria recebida pelo segurado que morreu, acrescida de cotas de 10% por
dependente, até o máximo de 100%. Uma viúva, por exemplo, receberá 60% do
benefício;
fixa o cálculo do benefício de acordo com o tempo de
contribuição do trabalhador que pedir a aposentadoria;
O texto não altera regras para aposentadoria de
trabalhadores rurais, tampouco para concessão do Benefício de Prestação
Continuada (BPC), auxílio pago a idosos e pessoas com deficiência.
A aposentadoria para militares das Forças Armadas também não
está na PEC. Esse assunto está em outra proposta, encaminhada à Câmara em 20 de
março, mas não foi analisada pelos deputados.
'PEC paralela'
Em uma estratégia para evitar mudanças na PEC, parlamentares
pró-reforma propuseram um segundo texto, que contemple modificações propostas
pelo conjunto de senadores.
Esse texto, chamado de PEC paralela, prevê, entre outros
pontos, uma medida para facilitar a adesão de estados e municípios ao novo
regime previdenciário.
O texto autoriza estados e municípios a adotar as regras do
regime próprio da Previdência dos servidores da União. Dessa forma, não há
necessidade de modificação nas constituições estaduais, sendo preciso apenas
aprovação de lei ordinária pelas assembleias legislativas.
Se estados e municípios adotarem as mesmas regras, a
economia em dez anos seria de R$ 350 bilhões.
Além disso, a PEC paralela flexibiliza algumas regras de
aposentadoria e prevê outras fontes de receitas, como a reoneração gradual do
agronegócio exportador e de organizações filantrópicas, excluídas as Santas
Casas e entidades assistenciais.
Com isso e com a adesão de estados e municípios, a economia
prevista com a reforma da Previdência vai para cerca de R$ 1,3 trilhão em um
período de dez anos.
Se aprovada pelo Senado, a PEC paralela ainda terá de ser
analisada pela Câmara dos Deputados.
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP)
disse que a PEC paralela está cerca de 20 dias atrasada em relação ao texto
principal aprovado em primeiro turno nesta terça.
Líder do PDT no Senado, Weverton
Rocha (MA) diz não acreditar que a PEC paralela terá andamento na
Câmara. “É a PEC da balela”, protestou o pedetista.
Linha do tempo
20 de fevereiro: governo
encaminha reforma da Previdência ao Congresso;
23 de abril: CCJ
da Câmara aprova reforma da Previdência;
4 de julho: Comissão
especial da Câmara aprova reforma da Previdência;
12 de julho: Plenário
da Câmara aprova reforma da Previdência em 1º turno;
7 de agosto: Por
370 votos a 124, Câmara aprova em segundo turno texto-base da reforma;
8 de agosto: Rodrigo
Maia entrega PEC da Previdência para Alcolumbre e texto passa a tramitar no
Senado;
4 de setembro: CCJ
do Senado aprova reforma da Previdência;
1º de outubro: Plenário do Senado aprova texto-base da
reforma da Previdência em primeiro turno.
Foto: Roque de Sá / Agência Senado

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