OPINIÃO: O abuso da nossa paciência
A aprovação do Projeto de Lei contra o Abuso de Autoridade é
a evidência de que o parlamento brasileiro comporta-se como os deuses
mitológicos do passado: vingativos, ciumentos e implacáveis contra tudo e todos
que buscam moralizar o Brasil.
Por quê agem assim ? Pense comigo: são filhos, noras,
esposas, parentes, apadrinhados, dinastias inteiras dependentes e imersas na
vida pública do Brasil, cujos intentos são o parasitismo do Estado brasileiro
às expensas do sacrifício do povo que os elegeu, para uma sobrevivência gorda e
fácil.
A tragédia continua com o povo, sabedor da relação
prostituída entre seus representantes e a coisa pública, e que por isto mesmo,
durante anos, portou-se como a concubina acariciada por benesses, ou como os
cachorros que aguardam o cair das migalhas da mesa dos seus senhores. Durante
séculos foi assim. De maneira que a vantagem indevida foi legitimada como uma
espécie de alívio moral para o brasileiro: para os que saqueiam o Estado, um
direito líquido e certo por suportarem o povo, esse mendigo, e para o povo, uma
benesse momentânea e uma espécie de vingança às avessas, sabedor que é do roubo
que sofre pelo conjunto de algumas autoridades no Brasil.
Mas sempre houve aqueles que não compartilharam do pacto. E
ansiavam pela mudança moral e real. Estes, aos poucos, aos trancos e barrancos,
foram ocupando posições importantes na Política, Educação, Justiça,
Negócios, enfim, nos centro detentores
de poder. E começaram a reagir.
O contra-ataque dos poderosos foi imediato. Querem aniquilar
a todo custo a mudança de horizonte moral do Brasil.
Os ataques são
baixos, permanentes, virulentos, ardilosos e nauseantes.
A violência institucional e a ameaça à própria vida daqueles
que lutam para que os verdadeiros marginais apodreçam na cadeia, é perpetrada
por uma unidade de ação inacreditavelmente orquestrada por instituições e
instâncias que deveriam zelar e defender a sobrevivência do povo de bem do
Brasil!
Devolvam o Estado!
A aprovação relâmpago da Lei de Abuso de Autoridade que pune
juízes e procuradores é altamente perniciosa, pois a subjetividade do texto é
uma demonstração clara do propósito de intimidar e enquadrar a atitude do juiz
ou procurador, toda vez que desagradar algum corrupto poderoso que possa pagar
as melhores bancas de advogados, com o dinheiro roubado dos cofres públicos.
O projeto impede, ainda, que informações técnicas cheguem ao
cidadão, calando juízes e promotores. Imaginem o rumo das investigações
sigilosas...
Por isso o povo irá novamente às ruas. Se não for isso, é o
fracasso total da nação.
O combate continua até que caia o último usurpador do Estado
brasileiro.
Não desanimemos.
Jornalista, publicitária e Mestre em Linguística.

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