OPINIÃO: As eleições na fazenda de ‘seu Mauriço’
A internet tem um relevante papel na propagação de fatos e
discussão a seu respeito. Jovens, adultos, adolescentes, idosos e até crianças estão
cada vez mais críticos no que diz respeito à atuação e a postura dos agentes políticos,
mas conheço um local que apesar do convívio com esse ‘novo mundo’ ainda vive dias
bem diferentes, arcaicos e de certo modo, feudais. Refiro-me a ‘Fazenda de Seu
Mauriço’.
Há alguns anos a Fazenda de Seu Mauriço, depois de ser transformada
em ‘Vila Mauriço’, passou à condição de cidade. Hoje é ‘Mauriça’, mas isso se
deu apenas do ponto de vista constitucional, pois a prática continua sendo a de
ver o local como uma propriedade com donos claramente definidos. Obviamente ela
não pertence mais a ‘Seu Mauriço. Ele já morreu, mas deixou vários ‘herdeiros’
altamente ciumentos com ‘suas terras’.
Como todo ‘bom’ dono de muitas terras, os ‘proprietários’ da
Fazenda têm seus capatazes, serviçais, adoradores e é obvio, os seus babões,
aqueles a quem muito ‘carinhosamente’ chamo de ‘ os fi do cão’.
Por ser agora uma cidade, é preciso cumprir os ditames da
legislação e eleger a cada quatro anos o ‘gerente’ de ‘Mauriça’. O rebuliço
começa no anterior. Cada um que queira ser mais dono, mais merecedor e mais
digno de governar (ou não) a cidade fazenda ou será fazenda que pensa ser cidade?
Ataques a moral, a honra, a dignidade. Perseguição, tiro,
mentira, acordo, conchavo, diz-me-diz e tudo mais que você possa imaginar cabe
em ‘Mauriça’ e é visto como legítimo na disputa pelo poder na cidade/fazenda de
Seu Mauriço. E o pior é que quase sempre isso funciona e os ‘donos’ se mantém
no poder. Claro que algumas vezes eles se desentendem, vão um para cada lado e
disputam entre si o comando. Mas se virem o reinado ameaçado se juntam e partem
para o embate, em nome do ‘bem de Mauriça’.
Os ‘herdeiros’ veem a cidade como uma grande fazenda mesmo e
fazem questão de não demonstrar nenhum pudor ao se colocarem como os legítimos
donos da terra. Tratam as pessoas como gado, marcado e posto do ‘pasto’ para o
curral. Acreditam piamente que podem agira assim, afinal de contas, eles chegaram
primeiro e têm a primazia e quem chegou depois é forasteiro e não é digno, exceto
se tiver sob a égide de um ou mais herdeiros; ou ainda se se tornar parte da ‘nobreza
dominante’.
Em 2020 muita gente quer ter o direito de ser o ‘Fazendeiro
(a) Chefe’. Tem quem está no posto atualmente e obviamente quer ser manter, tem
quem lambe uma rapadura para estar, quem já esteve e não pode mais, porém acha
que nunca deixou de estar. Tem ainda quem sabe que nunca estará e aproveita o
momento para ganhar um pre$tígio ao se apresentar como postulante. Ah! tem quem
represente os que não podem mais e morrem de saudade daquilo não mais viverão.
O que os ‘herdeiros’ ainda não perceberam é que a antiga
fazenda agora é uma cidade e não deve mais ser ‘usada’ para atender anseios,
caprichos e desejos de quem simplesmente deseja de se locupletar do que não é,
e na verdade nunca foi de fato seu.
A fazenda de Seu Mauriço virou Vila, depois cidade e tem
sim, milhares de ‘donos’. Mas os que se pensam eternos herdeiros só perceberão
que são iguais aos demais quando o povo lhes colocar no devido lugar.
Você pode está me perguntando: Onde é a antiga fazenda de ‘Seu
Mauriço’? Respondo: Ela é no Litoral, mas também no Sertão. No Cariri existem muitas
Mauriças, no Brejo também. A Paraíba inteira está repleta de ‘propriedades dos
coronéis’. Em Pernambuco, Ceará, nas Alagoas, enfim existem nesse Brasil de meu
Deus muitas Fazendas de Seu Mauriço. Há quem ache que o Brasil é uma grande ‘Fazenda
de Seu Mauriço’.
Talvez por aí o antigo fazendeiro não seja Mauriço. Pode ser
um Majó Migué, um Coroné, Zé, Capitão Toinho. Cidades/fazendas, donos,
herdeiros, capatazes, babões, serviçais continuarão existindo por muitos e
muitos anos, até que o povo entenda quem é mesmo que manda.
No final das contas não importa a origem de quem quer ser o
Fazendeiro (a) Chefe de Mauriça, o que realmente é importante é amar o povo,
cuidar da gente e ser competente para gerir os destinos de Mauriça. Seja onde
for sua Mauriça, escolha gente que não se acha superior, dono e herdeiro
daquilo que fato é de toda uma gente.
Esse texto é uma
crônica acerca do inexististe, mas não tão inexistente assim.
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Caco Pereira
Crédito imagem: Pinterest

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