Jovem que teve couro cabeludo arrancado em kart receberá transplante de pele das costas
Médicos do Hospital Especializado de Ribeirão Preto (SP)
confirmaram que a jovem Débora Dantas de Oliveira, de 19 anos, que teve
o couro cabeludo arrancado em um kart em Recife (PE), receberá um
transplante de pele retirado das costas dela mesma.
Débora segue na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foi
submetida a curativos no centro cirúrgico nesta terça-feira (20). O boletim
médico aponta "melhora significativa das lesões". A jovem está
consciente e o quadro de saúde é considerado estável.
Segundo o cirurgião plástico Daniel Álvaro Alvarez Lazo, na
cirurgia prevista para acontecer no próximo sábado (24), a equipe deve refazer
a testa e parte das pálpebras da jovem. O procedimento deve durar entre cinco e
sete horas.
“A paciente, com o acidente, perdeu toda a cobertura dos
ossos do crânio. Então, será realizado um transplante de um segmento de músculo
da região dorsal para a região cefálica, da cabeça, para cobertura de todos os
ossos expostos”, explicou.
Ainda segundo o médico, Débora deve ser submetida a uma
série de cirurgias reconstrutivas pelos próximos dois anos, que devem melhorar
a forma e a função do rosto, assim como a estética. Entretanto, a jovem ficará
sem os cabelos naturais.
“Isso não é possível de devolver. Mas sabemos que existem
próteses capilares de excelente qualidade no mercado que podem ser utilizadas”,
disse Lazo, destacando que Débora terá uma vida normal. “Absolutamente, sem
nenhum problema”, completou.
A equipe estima que a primeira fase do tratamento de Débora
dure um mês. O Hospital Especializado é referência em microcirurgias
reconstrutivas. O microcirurgião Alex Boso Fioravante disse que os
procedimentos em Débora serão extremamente delicados.
“São vasos extremamente pequenos. Depende do calibre da
veia, em média a gente dá de oito a 12 pontos em uma veia, de oito a 12 pontos
em uma artéria. Usamos no transplante, em vasos receptores pequenos, que tem
dois, três milímetros de diâmetro”, afirmou.
Para religar os vasos sanguíneos, os médicos devem ter muita
destreza, afinal, serão usados fios cirúrgicos seis vezes mais finos que um fio
de cabelo. A equipe também contará com um microscópio alemão que pode ampliar a
imagem em até 12 vezes.
“O mais difícil é a programação cirúrgica, escolher de onde
vamos retirar os retalhos para deixar uma área doadora com cicatrizes
discretas. Tudo para ter um melhor resultado estético e funcional”, disse
Fioravante.
Especialista em microcirurgia reconstrutiva, o cirurgião
plástico Marco Maricevich viajará dos Estados Unidos para acompanhar o caso de
Débora. Ele atua como professor assistente no Baylor College of Medicine (BCM),
em Houston, e lida com casos semelhantes.
Desde ao acidente da jovem, o especialista já
estava trocando informações com a equipe médica brasileira. Foi
Maricevich quem indicou a transferência de Débora do Hospital da Restauração,
em Recife, para o Hospital Especializado, em Ribeirão. Ele afirmou que o
caso da jovem é complexo e que ela precisará de muitas cirurgias, além
de acompanhamento multiprofissional. O tratamento, ainda segundo o
especialista, pode durar anos.
O acidente
Débora participava de
uma corrida de kart com o namorado na tarde de 11 de agosto, em uma
pista no estacionamento do Walmart, em Boa Viagem, na zona Sul do Recife,
quando o cabelo dela, que era na altura da cintura, soltou da touca e ficou
preso no motor.
A
pele foi arrancada desde a altura dos olhos até a nuca da jovem, que
foi socorrida pelo namorado e levada ao Hospital da Restauração, na capital
pernambucana. Tumajan disse que pegou "o rosto dela na mão", colocou
em uma sacola e correu para levá-la ao hospital.
O reimplante foi feito no atendimento de emergência. Os
médicos conseguiram recuperar e reimplantar 80% da área atingida. Após o
reimplante, Débora
ainda passou por outra cirurgia para a retirada de trombos que
surgiram.
Na quinta-feira (15), os médicos já haviam apontado o
risco de o procedimento inicial não funcionar devido a obstruções em
veias e artérias da área operada. Maricevich, que acompanhava o caso à
distância, apontou a necessidade de transferir Débora para um centro de
referência em cirurgia reconstrutiva para que o tratamento avançasse.
No domingo (18), Débora deixou o Hospital da Restauração e
foi transferida em um avião particular de pequeno porte para Ribeirão
Preto. A
aeronave pousou no Aeroporto Leite Lopes no fim da tardee uma ambulância
levou a jovem até o Hospital Especializado, onde ela segue internada na UTI.
A assessoria do Walmart informou que desde o acidente tem
prestado todo o suporte necessário à Débora. Tanto o transporte dela, quanto do
noivo, de Recife para Ribeirão Preto, assim como o tratamento médico
particular, estão sendo custeados pela empresa.
Ainda segundo o Walmart, a jovem manifestou a vontade de ter
outra pessoa da família como acompanhante, além do noivo. A empresa está
providenciando a viagem aérea desse parente até o interior de São Paulo nos
próximo dias.
Foto: Eduardo Tumajan/Acervo pessoal

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