Dallagnol recusa convite e não comparecerá a comissão da Câmara
O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da
força-tarefa da Lava Jato, negou nesta segunda o convite da Comissão de
Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para falar sobre as supostas trocas de
mensagens com o então juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça e Segurança
Pública, sobre processos e investigações da operação.
Em ofício enviado ao presidente da comissão, deputado Hélder
Salomão (PT-ES), o procurador alega que tem por "função constitucional" desempenhar "trabalho de natureza técnica perante o Judiciário, outro
Poder", e por isso acredita ser importante manter suas manifestações
na área técnica.
"Diante disso, muito embora tenha sincero respeito e profundo
apreço pelo papel do Congresso Nacional nos debates de natureza política que
realiza e agradeça o convite para neles participar, acredito ser importante
concentrar na esfera técnica minhas manifestações sobre mensagens de origem
criminosa, cuja veracidade e autenticidade não reconhecemos, e que vêm sendo
usadas para atacar a operação Lava Jato", diz o ofício encaminhado
pelo procurador.
Uma série de supostas mensagens trocadas entre Dallagnol, Moro
e outros procuradores da força-tarefa da Lava Jato vêm sendo publicados pelo
site Intercept Brasil, que afirma ter recebido de uma fonte anônima um arquivo
com milhares de textos, vídeos e áudios das comunicações do grupo.
Recentemente, o material foi compartilhado também com o jornal Folha de S.Paulo
e a revista Veja.
Os textos publicados até agora indicam o que seria uma
participação de Moro nas investigações, com sugestões de ações e até indicações
de testemunhas, o que levou a críticas de parcialidade ao juiz e à
força-tarefa.
A comissão aprovou na semana passada um convite ao
procurador para falar sobre o caso, por isso há espaço para o Dallagnol
declinar de comparecer à comissão. Com a negativa, no entanto, o convite pode
ser transformado em uma convocação, caso a comissão consiga aprová-la, o que
obrigaria o procurador a comparecer.
FÉRIAS
Também envolvido na crise do vazamento de mensagens, o
ministro da Justiça sai de licença não remunerada na semana que vem. Segundo
sua assessoria, a licença para tratar de assuntos particulares foi concedida
pelo presidente Jair Bolsonaro porque o ministro não tem direito a férias por
ter começado a trabalhar apenas em janeiro.

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