PSB, PDT e PCdoB avaliam apoio à candidatura de reeleição de Maia para presidência da Câmara
Os líderes na Câmara das bancadas de PSB, PDT e PCdoB se
reuniram na manhã desta quinta-feira (10) com o presidente da Casa, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), para negociar um eventual apoio das três legendas de oposição à
tentativa de reeleição do parlamentar do Rio de Janeiro. Aliados históricos do
PT, os três partidos pretendem tomar uma decisão sem influência dos petistas,
donos da futura maior bancada da Câmara.
O líder do PSB, deputado Tadeu Alencar (PE), afirmou que
pretende definir com o PDT e o PCdoB, partidos com quem o PSB costura um bloco
de oposição na Câmara, quem irão apoiar na eleição interna da casa legislativa.
Além de Tadeu Alencar, também participaram da reunião desta
quinta com o presidente da Câmara os deputados André Figueiredo (CE), líder do
PDT, e Orlando Silva (SP), líder do PCdoB.
Alencar disse que PSB, PDT e PCdoB só devem decidir e
anunciar qual será o candidato que irão apoiar na eleição pela presidência da
Câmara no meio da semana que vem. Até lá, destacou o deputado, os três partidos
vão se reunir internamente com as suas bancadas para decidir que caminho
tomarão.
O encontro de Maia com o bloco de oposição se deu após as
declarações da presidente do PT, deputada eleita Gleisi Hoffmann (PR), de que o
atual presidente da Câmara não terá os votos dos deputados do partido em razão
de ter fechado um acordo com o PSL de Jair Bolsonaro, que será dono da segunda
maior bancada da Casa a partir de fevereiro.
Uma ala petista defendia uma aproximação com Maia, mas
recuou depois que ele costurou esse acordo com o PSL, oferecendo cargos na Mesa
Diretora e o comando da Comissão de Constituição e Justiça, a mais prestigiada
e disputada da Casa.
Maia disse ao blog da colunista do G1 Andréia Sadi
que, "enquanto o PT não se resolver", ele não irá mais procurar o
partido".
Apoio oficial
De olho na eleição de 1º de fevereiro, que definirá quem
comandará a Câmara pelos próximos dois anos, Rodrigo Maia tem feito intensas
articulações para se manter no cargo: 12 siglas já oficializaram apoio a
candidatura dele para a presidência da Casa.
PSL (52 deputados eleitos)
PSD (34 deputados eleitos)
PR (33 deputados eleitos)
PRB (30 deputados eleitos)
PSDB (29 deputados eleitos)
DEM (29 deputados eleitos)
SD (13 deputados eleitos)
Pode (11 deputados eleitos)
PPS (8 deputados eleitos)
PROS (8 deputados eleitos)
PSC (8 deputados eleitos)
Avante (7 deputados eleitos)
Considerando-se as bancadas eleitas em outubro, esses 12
partidos somam 262 deputados. No entanto, não há garantia de que todos os
parlamentares seguirão a orientação do partido, já que a votação é secreta.
Para conseguir costurar esse leque de apoio, Maia tem
negociado cargos na mesa diretora da Câmara. Além da presidência da Casa, a
Mesa Diretora é composta por duas vice-presidências e quatro secretarias
(capitaneadas por quatro titulares e igual número de suplentes).
Ao PSL, Maia prometeu uma das vices e o comando da Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ), a mais disputada por ser a responsável pela
análise constitucional de todas as propostas em tramitação.
Nas conversas com o PR, ficou acertado que a
primeira-secretaria, a quem compete gerir o orçamento da Câmara, ficará com o
partido. Na vaga, deverá ser mantido o atual secretário, deputado Giacobo
(PR-PR).
Segundo o líder do PSB, eventual apoio das siglas de
oposição a Maia não será condicionado a vagas na Mesa Diretora ou em comissões,
mas ao compromisso de que assegurará espaço para a atuação da oposição.
“Queremos que o parlamento possa ter a sua autonomia
respeitada e a oposição possa exercer o seu papel, com espaço para debates de
verdade”, disse Alencar.
Candidatos
No início da tarde desta quinta, a bancada do PSB se reuniu,
em Brasília, para discutir quem apoiar na eleição pela presidência da Câmara e
avaliar a candidatura avulsa do deputado JHC (PSB-AL), que se lançou na disputa
sem o apoio oficial do partido.
O líder do PSB explicou que o bloco também tem mantido
conversas com outros parlamentares que estão na corrida, como o líder do PP,
Arthur Lira (AL), que tenta se viabilizar como alternativa a Maia.
Outros deputados que também têm se articulado para tentar
viabilizar uma candidatura para o comando da Câmara são o atual
primeiro-vice-presidente da Casa, deputado Fábio Ramalho (MDB-MG), o deputado
Alceu Moreira (MDB-RS) e o deputado eleito Kim Kataguiri (DEM-SP).
Sem apoio do próprio partido – o PR, que ficará ao lado de
Maia –, o deputado Capitão Augusto (SP) deverá concorrer com uma candidatura
avulsa.
Pelo PSOL, o deputado eleito Marcelo Freixo (RJ) já se
colocou seu nome na corrida à presidência da Casa.
Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

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