Toffoli derruba decisão que mandou soltar presos condenados em 2ª instância
O presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), Dias Toffoli, derrubou
nesta quarta-feira (19) a decisão do ministro Marco Aurélio Mello sobre
presos condenados em segunda instância.
Mais cedo, nesta quarta, Marco Aurélio mandou
soltar todas as pessoas que estivessem presas por terem sido
condenadas pela segunda instância da Justiça.
Diante disso, a procuradora-geral da República, Raquel
Dodge, recorreu
ao Supremo, e Toffoli, de plantão, derrubou a decisão de Marco Aurélio.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que
até 169
mil pessoas poderiam ter sido beneficiadas pela decisão de Marco
Aurélio, entre elas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Preso desde
abril, Lula foi condenado pelo
Tribunal Regional de Federal da Quarta Região (TRF-4), responsável pela Lava
Jato em segunda instância.
Julgamento em 2019
No início da semana, Toffoli anunciou à imprensa que as
ações sobre prisão após segunda instância serão
julgadas no dia 10 de abril do ano que vem.
Desde 2016 o Supremo entende que a
pessoa pode ser presa após ser condenada em segunda instância, mas
ações no tribunal visam mudar
esse entendimento.
No ano que vem, o STF analisará três ações apresentadas
pelos partidos PCdoB e Patriota, além da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O principal argumento é que o artigo 283 do Código de
Processo Penal estabelece que as prisões só podem ocorrer após o trânsito em
julgado, ou seja, quando não couber mais recursos no processo.
Além disso, o artigo 5º da Constituição define que
"ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença
penal condenatória".
Esse artigo, segundo a própria Constituição, não pode ser
modificado por emenda aprovada pelo Congresso por ser "cláusula
pétrea".

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