Socorro a estados e municípios no governo Temer vai custar R$ 90 bi
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) -
O socorro financeiro do governo federal ao pagamento de dívidas de estados e
municípios com a União terá um impacto de R$ 90,3 bilhões nas contas públicas
ao longo de três anos, de 2017 a 2019.
O valor corresponde a quase
duas vezes o que foi gasto em investimentos em 2017 (cerca de R$ 46 bilhões),
algo crucial para a retomada da economia.
As informações da Secretaria
do Tesouro Nacional constam de relatório de auditoria da dívida pública do
Brasil realizada pelo TCU (Tribunal de Contas da União).
Segundo os técnicos
responsáveis pela apuração, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande
do Sul e Alagoas e a cidade de São Paulo respondem por cerca de 90% desse
rombo.
Procurado para falar sobre o
impacto dessas repactuações nas contas públicas, o Ministério da Fazenda não
quis comentar. O TCU também não se pronunciou.
A auditoria realizada entre
2017 e este ano atende a um pedido do Senado para esmiuçar o crescimento do
endividamento do país. O período analisado teve início em 2000.
O alerta é dado em relação
ao refinanciamento das dívidas de estados e municípios com a União. O relatório
foi submetido ao plenário do TCU no dia 16 de maio deste ano, sob relatoria do
ministro Aroldo Cedraz, com a presença de outros seis ministros.
No acórdão, integrantes da
corte fazem uma série de recomendações ao governo federal para aumentar a
transparência sobre a dívida pública brasileira.
A primeira renegociação com
estados e municípios foi realizada durante o governo Dilma Rousseff (PT), em
2014, e mudou o indexador da dívida dos entes federados com o governo federal.
Segundo o relatório, essa
primeira renegociação com os estados custou R$ 37,1 bilhões à União. Mais um
custo de R$ 60,2 bilhões da renegociação com os municípios.
Em 2016, o presidente Michel
Temer sancionou uma lei que, em linhas gerais, alongou o prazo de pagamento da
dívida de municípios e estados com a União.
Em 2017, foi a vez da
entrada em vigor do chamado regime de recuperação fiscal dos estados mediante
uma série de exigências de ajustes, como reformas previdenciárias e
privatizações.
Só a alteração legislativa
de 2016, segundo o Tesouro, tem custo de R$ 53,07 bilhões entre 2017 e 2019. Já
as regras de 2017 causam impacto de R$ 37,20 bilhões -o que, no total, atinge
os R$ 90,3 bilhões mencionados.
"Essa é uma dívida que
será paga por toda a sociedade brasileira, embora a grande maioria do custo do
refinanciamento esteja concentrada em apenas cinco estados e um
município", escreveram os técnicos do TCU.
Isso porque as renegociações
de dívida significam menos receita para a União, embora abram espaço para que
os estados reorganizem suas contas, diz Fábio Klein, especialista em contas
públicas da Tendências Consultoria.
"As renegociações
causam perda de receita financeira para a União. Isso exige mais emissão de
dívida e resulta em uma conta a ser paga por toda a população", diz Klein.
O relatório é de autoria dos
auditores federais de controle externo Luiz Antônio Zenóbio da Costa, Tito
Belchior Silma Moreira e Lucinei Pereira.
Em relação ao quadro dos
estados, Cedraz, em seu voto, alerta para "a alta probabilidade de
insolvência desses entes". "Pouco se tem feito para conter o excesso
de gastos dessas unidades da federação", escreve o relator.
O ministro ainda faz um
alerta para a intensificação das desigualdades regionais.
"O conjunto da
população brasileira, incluindo as que habitam unidades federativas com
historicamente baixo investimento federal e baixo nível de desenvolvimento
humano, em especial na região Norte e Nordeste, está sendo chamado contínua e
rotineiramente para cobrir os rombos fiscais das unidades com maior desenvolvimento."
Novas taxas e maiores prazos
de pagamento diminuem o volume de recursos a serem pagos ao governo federal, o
que afeta o déficit nominal-- a conta que inclui juros.
Segundo relatório do IFI
(Instituição Fiscal Independente), do Senado, o déficit nominal do setor
público foi de R$ 57,9 bilhões em junho deste ano-- uma alta de R$10 bilhões
sobre maio.
De acordo com a corte de
contas, até agosto de 2017, estados e municípios tinham pendentes R$ 519,4
bilhões em débitos com a União.
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