Garoto de 16 anos é decapitado por membros de facção
O coronel da Polícia Militar Paulo Roberto Macedo, secretário
responsável pelo sistema prisional de Roraima, disse, neste domingo (22), que a
morte do interno
decapitado e esquartejado dentro do Centro Socioeducativo (CSE) Homero de Souza
Cruz Filho, em Boa Vista, foi
um conflito entre integrantes de uma mesma organização criminosa que atua no
estado.
“Esse tipo de acontecimento foge da [nossa] capacidade de
segurança porque foi um conflito entre eles mesmos dentro do quarto [onde só
havia adeptos da mesma organização]. Não foi um confronto com um grupo rival”,
explica Macedo, titular da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), pasta que
administra os presídios e o CSE de Roraima.
Paulo Henrique Medeiros Soares, de 16 anos, foi decapitado e
teve o braço e perna, ambos esquerdos, arrancados dentro de um dos quartos da
unidade no início da noite de sábado (21), onde haviam outros 15 acolhidos,
sendo todos pertencentes ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Antes do crime, os executores, que estavam no mesmo quarto
da vítima, localizado no Bloco C do CSE, cantaram, bateram palmas e, durante
esse "rito", mataram o adolescente de forma bárbara e cruel.
“Eles [internos] quebraram louças sanitárias para decapitar
o menino. Turma do mal. Quando fomos descobrir, o fato [morte] já tinha
ocorrido. Eles bateram palmas, cantaram, tudo para mostrar o índice de
maldade”, diz Macedo, descartando a suspeita de que o menor morto fosse membro
do Comando Vermelho, facção rival.
"Temos o maior cuidado de identificar a facção do
interno que chega à unidade. Esse adolescente [Paulo Henrique] se declarou ser
do 'time' do PCC. Sendo assim, foi colocado junto com o pessoal do PCC e passou
sexta-feira [20]. No sábado [21] mataram ele e não sabemos o motivo. É
especulação dizer que ele era do Comando Vermelho", sustenta.
Ainda conforme o coronel, foi feita uma revista horas antes
do homicídio, retirando os objetos que poderiam ser usados como armas.
Entretanto, os executores improvisaram objetos cortantes para matar o desafeto.
“As medidas [de segurança] na unidade serão as mesmas com
apoio da PM. A direção do CSE tem colocado mais agentes socioeducadores no
plantão da noite. E
as obras de reforma dos blocos para dividir melhor os internos estão em
andamento. Todos os dias faremos revistas para localizar armas que são
feitas de ferro retirado da parede”, relata.
Coronel Macedo ressalta que a empresa encarregada da obra
tem o prazo de 30 dias para entregar a reforma e, de acordo com ele, os
serviços de reconstrução já ocorrem há duas semanas.
“Estamos fazendo sem pressa, porque estamos trabalhando com
concreto e materiais que demoram a atingir a cura correta”, explica.
Visitas canceladas
As visitas foram suspensas na unidade após a morte do
adolescente na noite de sábado (21). Segundo o Coronel Macedo, será feito um
ajuste administrativo para realocar os acolhidos no sistema educativo.
“As visitações estão canceladas por enquanto, mas a direção
do CSE continua fazendo as atividades educativas”, explica.
O secretário da Sejuc afirmou ter descartado o
uso de carro-cela para separar alguns internos, após recomendações do
Ministério Público Estadual e do Juizado da Infância e Juventude. Ele assegura
que todos os 15 internos que estavam dentro do quarto no momento do crime são
suspeitos.
"Foram conduzidos para delegacia [Central de
Flagrantes] para prestar declarações. Foi feita perícia no local do crime para
identificar a causa da morte, embora já saibamos como ocorreu", acentua.
Macedo revela que não irá isolar os internos devido à
Legislação e os envolvidos na morte do menor retonaram para o quarto onde
estavam. A Polícia Civil investigará o homicídio.
Esta é a segunda morte registrada este ano no CSE. A
primeira ocorreu no fim de maio. Como medida de segurança, internos de
facções rivais são mantidos em áreas separadas do CSE desde o ano passado.
Apesar do cuidado, o clima é de tensão e insegurança na
unidade, que passa por uma reforma emergencial em razão de uma série
de rebeliões registradas nas últimas semanas.
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