PF: Aparelho apreendido com Aécio é bloqueador ilegal de sinal
Foto: Agência Senado
Relatório da Polícia
Federal entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) mostra que um aparelho
apreendido em apartamento do senador Aécio
Neves (PSDB-MG) no Rio de Janeiro, durante a Operação
Patmos, é um bloqueador de sinal telefônico proibido pela Agência Nacional
de Telecomunicações (Anatel).
“A luz indicativa de energização na
porção superior do aparelho ligou, indicando funcionamento. A eletrônica
presente e os elementos de antena sugerem o uso do aparelho para a geração de
ruído de radiofrequência para causar interferência nos sinais de redes de
comunicação móvel celular, objetivando a indisponibilidade de serviço
(bloqueador de celular)”, escreveu o perito.
O policial ainda ligou o aparelho, e
como o auxílio de um outro equipamento, chamado analisador de espectro,
constatou a produção de sinal de radiofrequência, nas faixas comuns de celular,
o que é proibido no Brasil. “O ruído produzido causa interferência nos serviços
de telefonia móvel celular 2G e 3G, dependendo da intensidade do sinal em
relação à Estação Rádio Base pode causar a interrupção do serviço.”
As informações fazem parte do
conjunto de apurações sobre o senador com base na delação de executivos da JBS,
na Operação Patmos. A investigação em andamento é por suspeitas do crime de
lavagem de dinheiro. Em junho do ano passado, o tucano foi denunciado pelo
então procurador-geral da República Rodrigo Janot sob acusação dos crimes de
corrupção passiva, pelo repasse de 2 milhões de reais da empresa de Joesley
Batista, e obstrução de Justiça, pela suspeita de que tenha agido para barrar
os avanços da Operação Lava Jato.
A Polícia Federal mandou um memorando
com as informações da perícia em dezembro do ano passado. O ministro Marco
Aurélio Mello é relator da ação cautelar que permitiu as buscas e apreensões
que tiveram como alvo, entre outros, Aécio e o também senador Zezé Perrella
(MDB-MG).
Por meio de nota, a defesa do senador
Aécio Neves diz que “desconhece se o aparelho estava ou não apto para uso, uma
vez que ele nunca o utilizou, assim como não utilizou nenhum outro equipamento
semelhante”. “O aparelho foi um presente e encontrava-se guardado com outros
presentes recebidos. O senador desconhecia tratar-se de equipamento de uso
limitado. Reportagens mostram o uso corriqueiro desses equipamentos em igrejas
e salas de aula, o que demonstra que o mesmo não teria qualquer utilidade em
uma residência particular”, afirma o advogado Alberto Zacharias Toron.
Espera
A denúncia foi apresentada contra
Aécio Neves em 2 de junho de 2017 ao STF. Desde então, ele foi alvo de duas
decisões de afastamento das atividades parlamentares. A primeira foi do
ministro Edson Fachin, em maio, quando deflagrada a Operação Patmos. Houve em
seguida uma mudança de relatoria, e o novo relator, Marco Aurélio, decidiu
revogar a decisão de Fachin. Mas no segundo semestre a Primeira Turma do
Supremo, por maioria, decidiu novamente afastá-lo.
Criou-se um impasse diante da
indisposição do Senado de cumprir a medida, e o Supremo terminou avalizando que
a Casa Legislativa tinha o direito de dispensar a determinação de afastamento
de parlamentares – o que salvou o posto do tucano no Congresso. Só após a
resolução do imbróglio o ministro relator, Marco Aurélio Mello, notificou as
defesas para apresentação de resposta prévia à denúncia.
Veja/MSN
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