Investigados da BRF são impedidos de frequentar frigoríficos
A investigada BRF é uma das maiores
empresas de alimentos do mundo e dona das marcas Sadia, Perdigão e Qualy
O juiz federal André Wasilewski
Duszczak, da 1ª Vara Federal de Ponta Grossa, no Paraná, determinou o
afastamento de cinco investigados da Operação Trapaça de suas
atividades profissionais na BRF Brasil após o fim da prisão temporária de
executivos da empresa, uma das maiores da área de alimentos do mundo e
dona das marcas Sadia, Perdigão e Qualy.
De acordo com a decisão, os
funcionários e um ex-vice-presidente da BRF não podem frequentar as
unidades frigoríficas nem laboratoriais para que não cometam novas infrações
penais. Deflagrada na segunda-feira (5), a 3ª fase da Operação Carne
Fraca , que tinha como alvo a empresa, investiga crimes supostamente
praticados por laboratórios que tinham como objetivo burlar a fiscalização do
Ministério da Agricultura.
A Justiça Federal determinou as
medidas cautelares aos investigados após solicitação do Ministério Público
Federal em Ponta Grossa. A preocupação dos procuradores é que os
investigados, uma vez soltos, possam atrapalhar o andamento das investigações e
continuar promovendo as “graves fraudes que, em tese, vinham cometendo”. Caso
não cumpram as medidas, o magistrado poderá decretar a prisão preventiva dos
investigados.
De acordo com o MPF no Paraná,
deverão ser suspensos os seguintes funcionários: Fabiana Rassweiller de Souza,
responsável pelo Setor de Assuntos Regulatórios do Corporativo do Grupo BRF;
Décio Luiz Goldoni, gerente agropecuário da planta da BRF de Carambeí; Andre
Luis Baldissera, teoricamente afastado da BRF desde a primeira fase da
Operação, mas, recebendo salários; Harissa Silverio El Ghoz Frausto, atuante
perante os laboratórios de análises que atendiam a BRF; e Helio Rubens Mendes
dos Santos, vice-presidente da BRF até 26 de fevereiro de 2018.
Quanto a Helio, embora alegue ter
deixado a vice-presidência, o juiz André Wasilewski afirmou que deve ser aplicada
a ele a mesma sanção para que não participe do comando da empresa, direta ou
indiretamente. Já a funcionária Natacha Camilotti Mascarello, analista de
qualidade da fábrica de rações em Chapecó, teve a medida cautelar determinada
em decisão anterior.
Fraudes
Nesta sexta-feira (9), o
ex-presidente global do grupo, Pedro de Andrade Faria, foi solto pela Polícia
Federal. A
empresa é investigada por fraudar resultados de análises laboratoriais
relacionados à contaminação pela bactéria Salmonella pullorum . As
fraudes foram constatadas entre 2012 e 2015. Onze pessoas tiveram mandado de
prisão decretado, entre elas, ex-executivos do grupo.
Após a operação, a BRF informou que
“a companhia segue as normas e regulamentos brasileiros e internacionais
referentes à produção e comercialização de seus produtos”.
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