"Intervenção no Rio é ação eleitoreira, mas precisamos apoiar", afirma Walber Virgolino
(Foto: ClickPB)
A intervenção federal no Rio de Janeiro tem dividido opiniões, e mesmo quem é favorável à ação do governo Temer tem receio de algumas decisões que estão sendo tomadas com relação à atuação do Exército no combate à violência. O ex-secretário de Segurança da Paraíba, Walber Virgolino apoia a intervenção, mas acha que, mais que uma busca por resolver o problema no Rio, a ação foi uma decisão política.
"Foi feito de forma açodada, desinteligente. Era necessário chamar a sociedade e os órgãos de segurança pública, como as polícias do Rio, a Polícia Federal para discutir a ação, para que ela fosse mais estratégica, até para saber o que exatamente o exército está fazendo", cobrou.
Apesar das ressalvas, ele diz que a atitude é necessária. "É uma ação eleitoreira, sim, mas corajosa. Aindapenso que dez meses de intervenção é pouco tempo para que o Exército consiga combater 20 anos de crimes e violência. A intervenção deveria ter começado com a prisão dos principais líderes do crime organizado. No entanto, apesar de muitos erros, nós precisamos apoiar a decisão de fazer algo. A movimentação era necessária", destacou.
Virgolino também é contra a criação do Ministério da Segurança Pública, pasta capitaneada, hoje, pelo ex-ministro da Defesa Raul Jungmann. "Não faltava um ministério, mas combater o crime com inteligência, integrar os departamentos de inteligência dos estados e acompanhar a aplicação dos recursos financeiros nos estados", frisou.
Para o ex-secretário, estados como o Rio Grande do Norte e o Ceará devem se preparar para uma possível migração de criminosos. "São estados controlados pelo PCC, que podem receber muitos dos fugitivos desta intervenção. Há tempos o Nordeste é alvo desses crminosos. Temer deveria ter oferecido apoio técnico, tático e financeiro para estes estados", disse.
Para ele, mais do que enviar dinheiro para que os estados combatam a violência, é necessário saber como investir este dinheiro. "O governo federal precisa acompanhar onde este dinheiro está sendo investido. Não pode ser deixado na mão de políticos. Precisa estar em cima, saber o que cada estado precisa para investir corretamente, de forma estratégica, senão o dinheiro vira dividendo na mão de políticos profissionais", concluiu.
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