CAOS: Governo decide fazer intervenção na Segurança Pública do Rio
Ricardo Moraes/Reuters
O presidente
Michel Temer decidiu nesta quinta-feira (15) decretar intervenção na Segurança
Pública do Rio de Janeiro. Com isso, as Forças Armadas assumirão as atividades
de segurança do Estado fluminense.
Um decreto foi
preparado durante reunião do presidente com os ministros da Defesa, Raul
Jungmann, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio
Etchegoyen, ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, do Planejamento, Dyogo
Oliveira, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco. O encontro
contou ainda com a participação do governador do Estado, Luiz Fernando Pezão,
com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício
Oliveira (MDB-CE).
É necessária a
aprovação agora do Congresso Nacional em um prazo de dez dias, como manda a
Constituição Federal.
Na mesma
reunião, o presidente discutiu com os presentes a criação de um Ministério da
Segurança Pública. A
nova pasta poderá ser anunciada nesta sexta-feira.
O assunto já
vinha sendo tratado pelo governo nos últimos meses, mas ganhou força com a onda
de violência
vivida pelo Rio durante o carnaval.
Para tentar
reduzir críticas sobre a criação de um novo Ministério, a ideia é que isso seja
feito em caráter extraordinário, ou seja, com prazo de validade e seja extinta
quando arrefecer a crise na segurança pública. O mesmo modelo foi adotado pelos
ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.
Na reunião, a
equipe econômica apresentou dados sobre o impacto da nova estrutura para a
máquina pública. Um novo encontro deve ocorrer nesta sexta para fechar o
formato da pasta.
O nome mais
cotado para assumi-la é o do ex-secretário estadual do Rio de Janeiro José
Beltrame. Segundo a Folha apurou, Temer escalou auxiliares
presidenciais para convidá-lo.
A indicação dele
conta com o apoio dos ministros palacianos e das bancadas carioca e gaúcha do
MDB na Câmara.
Além de ser
considerado um nome técnico e de prestígio na área, Beltrame é delegado
aposentado da Polícia Federal.
A aposta é de
que a nomeação dele reduza a resistência na corporação com a eventual saída da
Polícia Federal da Justiça. Nos bastidores, delegados tem criticado a mudança e
afirmado que ela pode interferir nas investigações em andamento.
Pelo esboço
feito pelo Palácio do Planalto, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal
e a Força Nacional iriam para o controle da nova pasta, o que esvaziaria a
Justiça.
Temer também
chegou a avaliar o nome de Jungmann, mas tem esbarrado na dificuldade em
encontrar um substituto para o comando da Defesa.
O receio dele é
de que uma troca possa causar revolta e desconforto com as Forças Armadas, que
já manifestaram contrariedade em reunião com o presidente na quarta-feira (14).
A criação da
nova pasta faz parte de estratégia do presidente de criar uma marca para seu governo
na área de segurança pública. Segundo pesquisa interna do MDB, o tema é um dos
que mais preocupa os brasileiros para o processo eleitoral deste ano.
A ideia do
presidente, que cogita disputar a reeleição neste ano caso melhore seus índices
de aprovação, é de se antecipar ao pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que
já disse que criará a pasta caso seja eleito presidente.

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