Associação de Magistrados do Rio também quer acompanhar processo de intervenção
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A Associação dos Magistrados do Rio
de Janeiro (Amaerj) pretende acompanhar de perto o processo de intervenção
federal na área de segurança pública do estado. A informação foi prestada hoje
(26) pela presidente da entidade, a juíza Renata Gil, durante a cerimônia
realizada nesta noite em que tomou posse do seu segundo mandato à frente da
entidade. De acordo com ela, os pedidos de mandados de busca e apreensão e as
medidas cautelares urgentes serão acompanhados “em tempo real” pela Amaerj.
Além da Câmara dos Deputados, já anunciaram a criação de
observatórios ou comissões de acompanhamento do processo de intervenção
federal, o Senado, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, entre outras
instituições.
A juíza disse ainda que a entidade
pretende garantir a interlocução entre os interventores e os juízes. “Ela [a
intervenção] foi aprovada, decretada, e o nosso papel é acelerar os
procedimentos que forem necessários para que o Exército cumpra seu papel no Rio
de Janeiro. Entendemos que todas as medidas urgentes serão apreciadas no cunho
da legalidade pelos juízes. Eles estão preparados para isso, e toda a interlocução
que for necessária entre as forças de segurança e os magistrados, a associação
vai fazer”, assegurou.
Quanto à possibilidade de concessão
de mandados coletivos e o cadastramento com fotos de moradores feito pelo
Exército durante operações nas comunidades da Vila Kennedy, da Vila Aliança e
da Coreia, na zona oeste da cidade, na sexta-feira (23), a juíza disse que a
Amaerj não se posiciona com relação a isso. “Cada magistrado vai fazer essa
análise e o nosso papel é fortalecer a decisão do magistrado”, concluiu.
No seu discurso durante a cerimônia,
a presidente apontou o acompanhamento do processo de intervenção federal como
um dos desafios que terá que enfrentar no segundo mandato. “Especialmente,
apreciando a legalidade das medidas que se fizerem urgentes e no julgamento
correto e eficaz daqueles submetidos ao processo criminal. Faremos toda a
interlocução necessária entre as forças de segurança e a magistratura para que
a medida escolhida seja bem-sucedida e que a sociedade finalmente se sinta protegida”,
indicou.
A juíza também falou do
auxílio-moradia, principal pauta corporativa dos juízes do país e atribuiu a
discussão do tema a uma retaliação à magistratura. “Tenho acompanhado a
imprensa desde janeiro até os dias de hoje e todos os dias sai alguma matéria
com relação a remuneração da magistratura. Penso que hoje a Justiça é a
carreira que mais transparência tem no país. No caso específico do Rio de
Janeiro, toda a remuneração do magistrado está contemplada em uma lei que é
clara e transparente também. Agora, se essa lei deve ser revogada ou não, isso
é o papel do Parlamento e da sociedade. Nós defendemos que ela deve ser mantida
por questões de legalidade”, completou.
A cerimônia teve a presença do
ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Herman Benjamin, que defendeu
uma remuneração adequada para os magistrados, sob pena de a carreira passar por
um processo de “alta rotatividade”, pela saída de juízes em busca de melhores
resultados financeiros em outras carreiras jurídicas. O governador do Rio de
Janeiro, Luiz Fernando Pezão, que era esperado na cerimônia, foi representado
pela primeira-dama e presidente da Fundação Rio Solidário (Obra Social do Rio
de Janeiro), Maria Lúcia Cautiero Horta Jardim.

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