Empresa de eventos dá prejuízo de mais de R$ 1 milhão a formandos, dizem turmas
Foto: Gabriel Costa/G1
Formandos de
três faculdades de João Pessoa acionaram a Polícia Civil contra a empresa que
estava organizando a festa de formatura das turmas. Segundo eles e o Boletim de
Ocorrência registrado na Delegacia de Defraudações e Falsificações, a dona da
empresa sumiu com mais de R$ 1 milhão dos alunos.
Na tarde desta
segunda-feira (11), representantes de pelo menos 10 turmas se juntaram na
frente da Waltisa Eventos - empresa especializada em formaturas, eventos,
aniversários e casamentos - para, numa tentativa falha, falar com alguém de lá
e tentar descobrir o que seria das formaturas deles sem o dinheiro que
investiram desde 2014. A reportagem também tentou falar com responsáveis pela
empresa, mas as ligações não foram atendidas.
Uma integrante
da comissão de formatura da turma de direito da Faculdade Internacional da
Paraíba (FPB), Maria de Fátima, de 25 anos, segurava o contrato firmado com a
Waltisa onde detalhava os itens das festas de formatura e aula da saudade, que
custaram aos formandos R$ 125.400.
Wictor Hugo, de
22 anos, já formado em direito pela FPB e, mesmo já com a aprovação no exame da
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse ao G1 que esperava a aula
saudade que aconteceria na próxima semana e o baile. “Fantasia alugada,
convites enviados, copos e sandálias personalizadas feitos, a família já
comprou roupa pra festa e tudo”, contou ele sobre os gastos que teve além dos
R$ 4.180 que foram destinados só à empresa de eventos.
Junto a eles,
Aysa Pereira, de 22 anos, também estudante de direito, sendo que do Centro
Universitário de João Pessoa (Unipê), contava que pessoas dos cursos de
engenharia ambiental e enfermagem de outras faculdades também foram lesados
pela Waltisa Eventos.
Nem mesmo uma
funcionária da empresa, que fica no cruzamento das Avenidas desembargador Bôto
de Menezes com a Monsenhor Walfredo Leal, conseguiu trabalhar nesta
segunda-feira. Segundo ela informou à Polícia Civil, não foi possível abrir a
porta da loja com as chaves que ela tinha.
A delegada
Vanderleia Gadi, que ouviu os estudantes na DDF, disse à TV Cabo Branco que
ainda não aconteceu o golpe, já que, segundo o contrato, a empresa tem até 72
horas antes dos eventos para quitar os valores. Porém, caso nesta terça-feira
(12) um cheque que ela deu a uma das casas de festas for devolvido ou se uma
aula da saudade marcada para a próxima segunda-feira (18) não acontecer, o
prejuízo vai ser considerado como consumado.
"Em tese,
crime ela não praticou nenhum. Mas o comportamento dela é suspeito. Ela excluiu
todas as contas nas redes socias, ela não atende o telefone, a empresa hoje
estava fechada, a funcionária foi trabalhar e quando colocou a chave, a
fechadura não abriu. É provável que realmente ela vá deixar esse pessoal no
prejuízo, mas isso só vai acontecer se o evento de segunda-feira não
acontecer", explicou a delegada.
Enquanto isso,
os estudantes diziam na porta da empresa que três cheques da Waltisa destinados
a uma casa de festas no bairro Altiplano, em João Pessoa, já tinham sido
devolvidos. Além disso, de R$ 31 mil que uma outra casa cobrava pelo espaço
onde aconteceria uma formatura, a empresa pagou R$ 1 mil de sinal e não deu
mais respostas.
Diante do acontecido,
Wictor Hugo diz estar arrependido da escolha. “Estávamos em dúvida entre ela
[Waltisa Eventos] e uma outra empresa, mas optamos por ela pelo valor e por não
ter histórico de fraudes”, contou.
“Já não basta
tanto estresse na faculdade com provas, TCC, OAB, ainda acontece uma dessas”,
concluiu Wictor. Já à TV Cabo Branco, a formanda Cristiane Luna disse que
o prejuízo foi mais que o financeiro, foram os sonhos levados.


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