Quem é a milionária que doou 500 mil para Lula?
Herdeira do
banco Credit Suisse , fundado em Zurique (Suíça), em 1856, e
socialista declarada, Roberta Luchsinger, de 32 anos, causou
alvoroço na internet nesta sexta-feira após dizer em entrevista ao jornal Folha
de S. Paulo que doou dinheiro e apetrechos valiosos ao
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre os quais
destacam-se um cheque de 28 mil francos suíços (cerca de 93 mil reais) dado
pelo avô, o banqueiro suíço Peter Paul Arnold Luchsinger (falecido em junho),
um relógio Rolex, um anel de diamantes Emar Batalha, um vestido Dolce &
Gabbana, além de uma bolsa e uma mala de grife – tudo avaliado em 500 mil
reais.
A doação foi feita
para ajudar o petista, que teve dinheiro e bens bloqueados pelo juiz Sergio
Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira
instância, em razão de sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro no
processo envolvendo um tríplex no Guarujá (SP), que seria de Lula e
fruto de propina oriunda de contratos da Petrobras. O bloqueio atingiu 606 mil
reais em dinheiro (em contas bancárias), três apartamentos, um terreno, dois
veículos e cerca de 9 milhões de reais em previdência privada no Banco do
Brasil.
“Existe uma campanha
pela demonização de Lula, liderada por parte da grande mídia e por setores do
Poder Judiciário. A elite desse país é mesquinha, provinciana, não sabe olhar
além de seu umbigo. Essa doação tem um valor simbólico: mostrar que estou com
Lula, independente da minha origem social”, afirma. “Sei que sou uma estranha no
ninho, mas não me incomodo.”
Em seu Facebook,
pipocaram mensagens nesta sexta de internautas ovacionando ou criticando a
ação. “Parabéns Roberta, Deus te abençoe”, posta uma internauta. “Aceito 100
mil para comprar uma casa”, ironiza outro. Os comentários foram feitos em
postagens aleatórias feitas por ela, como num videoclipe romântico do cantor
americano Gnash. “Pode ter certeza de que irei ler tudo e responder. Acho
bacana isso, até mesmo os que me agridem. Quero saber o porquê”, afirma
Roberta.
Roberta é popular no
Facebook, em que compartilha, na maioria das vezes, notícias sobre corrupção
envolvendo políticos de oposição a Lula ou artigos questionando a postura da
imprensa ao tratar dos escândalos envolvendo o ex-presidente. Sua conta tem
cerca de 1.500 seguidores. Um dos que mantêm interação com ela na rede social é
Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação do governo Dilma Rousseff (PT).
“As pessoas olham e pensam: olha que maluca! Mas quem me conhece sabe que
sempre fui engajada em ajudar mesmo”, conta.
Roberta Luchsinger, herdeira do Credit
Suisse
A bilionária, que
renega o rótulo de socialite, quer se candidatar a deputada estadual pelo PCdoB,
partido ao qual é filiada, no ano que vem. Ela diz que adora conhecer
pessoas e “aprender com elas”. Em uma foto enviada à reportagem, Roberta
aparece com trajes para jogar tênis ao lado de uma barraca de comida de rua.
“Vivo indo atrás de churrasquinho no centro. Gosto disso, porque gosto de bater
papo mesmo”, diz. “Meu motorista é meu parceirão de garfo”, conta.
A visita a
comunidades e o contato com gente de outras classes sociais é parte de sua
rotina, ela diz. Na Páscoa, passou o domingo confraternizando com os moradores
e distribuindo chocolates na Brasilândia, zona norte de São Paulo. “Estou sempre
procurando ajudar. Isso não quer dizer que eu não vá no mínimo três vezes na
semana ao [restaurante] Gero [um dos mais sofisticados restaurantes de São
Paulo, do grupo Fasano]”, diz.
Roberta diz que não
está na política por “oba-oba”, mas que é algo arraigado – ela diz que um
bisavô foi prefeito da maior cidade suíça, Zurique, e que, outro, brasileiro,
fundou a cidade de Miraí, no interior de Minas Gerais, “onde nasceu o sambista
Ataulpho Alves, e onde Zé Alencar, nosso ex-vice presidente [de Lula], teve seu
início de vida trabalhando com minha família”.
Casamento com o delegado
Roberta é mineira,
vive em São Paulo, em Higienópolis, bairro nobre na região central de São
Paulo. Ela formou-se em direito e concorreu a uma vaga de estágio no Ministério
Público, mas não seguiu carreira na área. Em parte, porque conheceu o
ex-delegado da Polícia Federal e ex-deputado federal pelo PCdoB Protógenes
Queiroz, em 2009, com quem casou-se e teve uma filha, Guilhermina, hoje com
cinco anos. Os dois se divorciaram em 2014 porque ela, diz, “se cansou de ser
traída” por ele. Queiroz hoje vive na Suíça depois de ter sido condenado por
violação de sigilo da Operação Satiagraha, uma das pioneiras
operações da PF contra corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo políticos, empresários,
doleiros e banqueiros, em 2004.
“Protógenes é um
grande homem, faz falta no país. Aprendi muito com ele. Já passamos por altos e
baixos, mas superamos. Admiro e gosto dele”, diz. A época em que ela
conheceu o ex-delegado foi marcada por uma tragédia —um bimotor que
transportava 14 pessoas da sua família, incluindo o seu tio, Roger Wright,
sócio do banco Garantia, dois filhos dele, os cônjuges e três netos, explodiu
durante um falha na hora do pouso em Trancoso (BA), matando membros de três gerações
da família. “Fiquei muito envolvida nesse processo e me esqueci de mim. No meio
dessa depressão, eu o conheci, e ele foi a pessoa que mais me apoiou e mais me
deu força”, contou, em uma entrevista a um programa na internet.
Depois de Protógenes,
ela namorou por cerca de seis meses com outro político —Gustavo Braga,
ex-prefeito de Jaguariúna (SP). Hoje ela se diz solteira, “mas não sozinha”.
Tem outra filha, Valentina, de 11 anos, de um relacionamento anterior ao
com Protógenes.
Roberta tentou se
aventurar em outros empreendimentos. Chegou a ter um blog de dietas e produziu
e participou de um programa de televisão da revista de automobilismo Car
and Drive, que foi exibido em 2016 pelo canal pago BandSports. Em um
dos episódios, ela aparece dirigindo uma Lamborghini Gallardo no Autódromo de
Modena, na Itália. “Não é a minha praia, mas foi legal. Gosto de conhecer novas
oportunidades. Eu estava, digamos, tentando outros olhares para definir dentre
as minhas paixões qual falaria mais alto. Não deu outra… política, política e
política”
Com Veja/fotos: Repodução

Nenhum comentário: