Com 5 mil homens, Operação Onerat tem 2 mortos e 24 presos em confronto no Rio
Forças de segurança estadual
e federal realizaram desde às 4h30 deste sábado (5), a Operação Onerat, contra o roubo de cargas e o crime organizado no
Rio. Com um efetivo de quase 5 mil homens, a ação fez 15
prisões. Dois homens morreram em confrontos com PMs. Policiais e militares
apreenderam 3 pistolas e duas granadas, mas não encontraram fuzis ou munições
na intervenção no Complexo do Lins de Vasconcelos, na Zona Norte da cidade.
Dos 40 mandados de prisão da
Onerat – carga, em latim – 18 foram cumpridos, sendo que nove alvos já estavam
detidos. Os agentes também apreenderam dois adolescentes.
A ação que ocupou o Complexo
do Lins contou com cerca de 5 mil homens – quase o dobro da ocupação do
Complexo do Alemão, em 2010 (veja quadros abaixos).
A operação teve início às
3h30 da madrugada quando militares da Brigada Paraquedista, do Exército, e
fuzileiros navais, da Marinha entraram na mata para evitar fugas de
traficantes. Por volta das 4h30, homens da Coordenadoria de Operações Especiais
(Core), da Polícia Civil, e dos Batalhões de Choque e com Cães (BAC) iniciaram
a entrada na comunidade. Os policiais eram orientados por um inquérito da 26ª
DP (Todos os Santos) sobre roubo de cargas.
A ideia do comando da operação,
reunido no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) no Centro do Rio, era
surpreender os traficantes do Lins no fim do baile funk da sexta-feira. Ao
chegar à comunidade, os policiais encontraram poucos 'soldados' na guarda do
baile. Houve alguns disparos em direção à mata mas os criminosos preferiram se
esconder na favela à buscar abrigo na floresta já ocupada pelos militares.
Moradores relataram em redes sociais o som de tiroteios e de bombas na
comunidade.
O comando da operação
esperava iniciar o cumprimento dos 40 mandados de prisão às 6h, mas a Polícia
Civil iniciou as ações a partir das 6h30, um 'delay' que foi comentado nas
reuniões após a operação. Com base em registros de ocorrência e dados passados
por informantes, os policiais foram a escolas e creches municipais à procura de
cargas roubadas, mas não encontraram nada.
Os militares também usaram
detectores de metais na mata buscando armas e munições. Também nada foi
encontrado. A operação em um dia pouco usual – sábado – tentou evitar vazamento
da ação.
Ao todo, foram apreendidas
três pistolas, duas granadas, quatro rádios, 16 carros e uma motocicleta e
entorpecentes.
Questionado sobre um possível
vazamento da operação, já que menos da metade dos mandados de prisão havia sido
cumprido até o início da coletiva, Sá disse que não há indícios de que as
informações tenham chegado aos criminosos.
"Nossos objetivos de
mandados de prisão e busca estão sendo cumpridos respeitando e sem colocar em
risco a segurança dos moradores. Basta ver que só dois morreram em confronto,
um com a Polícia Civil e outro com a Polícia Militar. Nenhum civil foi ferido.
Temos que aprender de atuar assim", disse Sá.
Por volta das 13h50, dois policiais e dois suspeitos presos se feriram em acidente com
a viatura do Batalhão de Ação com Cães e foram levados para o Hospital Salgado
Filho. O sargento Anderson Dias Pereira morreu. O cabo André Luis Gomes Silva e
os dois presos foram internados.
“Mesmo com toda a dificuldade
que o estado está enfrentando, as polícias dedicaram todos os seus esforços e
encontraram diversos responsáveis pelo crime de roubo de cargas”, destacou o
secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá.
Sá também comentou a ausência
de fuzis entre as apreensões: "Fuzis existem. Mas hoje o criminoso age de
forma diferente. Não existem mais paióis. Eles guardam suas armas
consigo".
O ministro da Justiça, Torquato Jardim, considera que a operação provoca
um "sufoco logístico e financeiro" ao crime organizado.
A polícia voltou a pedir
ajuda da população para denúncias que levem à prisão dos criminosos.
"A população ordeira
pode auxiliar as forças de segurança apresentando informações, inclusive de
forma sigilosa. É uma forma de ajudar o combate ao crime naquela
localidade", destacou o delegado Paulo Guimarães, da Polícia Civil.
Com Globo.com

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